Sobre a virgindade de Maria, Jesus, a Igreja e a Cruz Católica
por Francisco Marengo

 




Certa vez questionava-se em nosso grupo de estudos a virgindade de Maria, disseram que a história de virgindade era uma apologia às energias puras.

A energia primordial está inserida no Ato Sexual e não na pureza que a virgindade possa representar. Maria poderia ser pura de intento e não ser virgem lembre-se que o Iniciado é aquele que penetra nos mistérios da deusa, levantando seus véus e comungando seus mistérios pela ativação do fogo serpentino kundalíneo.

O pecado sim é qualquer coisa que prenda a vontade livre e desembaraçada de propósitos egóicos, que a impeça, ou que a desvie. O conceito de associar o ato sexual a impureza foi criado pela Igreja no intuito de definitivamente coibir as práticas pagãs ou mesmo gnósticas que desde os primórdios sempre se utilizaram a energia sexual como método de desenvolvimento espiritual.

Psicólogos modernos sabem muito bem que o instinto sexual é uma das mais profundamente enraizadas expressões da Vontade; e não deve ser refreado quer negativamente, impedindo-se a sua livre função, ou positivamente, insistindo-se em sua falsa função, como única função para a satisfação da libido. Por acharem diferente disso, a sociedade mundana, bem como os membros do clero criaram seus monstros versados em pedofilia com requintes de crueldade, juntando-se a isto toda a sorte de pensamentos distorcidos, transformando o ato sexual em algo grosseiro ou brutal, no intuito de deformá-lo.

Jesus, Joshua, Dionísio, Jonas, Pedro, Apolônio, Krishna, Osíris, seja qual deles foi a inspirar o mito católico seja ele verdadeiro, exagerado ou não, não há nada que impediria que tal homem seja filho natural de um homem e de uma mulher. Pois o sagrado é natural e o ato sexual é um sacramento da Vontade. Profaná-lo sim, é uma a grande ofensa. Toda a verdadeira expressão dele é legítima; toda supressão ou distorção é contrária as Leis Universais que tem o efeito de excitar o Amor em sua forma mais elevada e mais nobre. Algumas das ligações amorosas mais passionais e mais permanentes na história começaram com uma posse forçada.

A cidade de Roma foi fundada assim. Porém a inexprimível variedade da natureza, se bem que admite crueldade e egoísmo, não nos oferece nenhum exemplo de que o puritano seja mais sábio que o hipócrita. Deve ser bem notado que as Grandes Mulheres da História têm sido completamente livres em sua vida amorosa.

Ninguém involui, e por outro lado à compreensão do aspecto evolutivo significaria compreender, por meio da vivência, os processos da evolução da matéria e do espírito. Mais do que isso seria entender como o impulso vital viaja de planeta em planeta e principia com a evolução do reino elemental, até ascender aos reinos mineral, vegetal e animal para extrair por fim um ser divino do homem animal.

Para aqueles que não conseguem perceber no interior de seu coração os mistérios divinos da Natureza, a luz ofuscante que se irradia as chispas divinas da criação são tidas pelos Adeptos como o Grande Sol Espiritual que é o coração do Cosmos, a partir do qual se irradiam o Amor, a Luz e a Vida constantemente. Assim Joshua, Jesus ou como queira chamá-lo poderia sim, meu caro ser filho de um homem e de uma mulher. José tinha 84 anos, Maria, 14, seria Jesus um filho bastardo? Ora, e se fosse, isto é um preconceito humano. Qualquer ser nascido é um ser legítimo, filho gerado pelo Poder da Santíssima Trindade.Neste caso, pouco importa realmente quem sejam os pais. Um filho gerado antes do casamento (religioso) não é menos importante e nem merece menos atenção, carinho, compreensão, amparo do que qualquer outro filho nascido, digamos, de uma situação estável.

Percebe-se que a polêmica sobre a União divina de Maria com o anjo é pura invencionice católica querendo atribuir pureza na virgindade. Oras, porque ser virgem torna uma mulher mais pura? Será que todo ato de amor verdadeiro, como no caso de Maria que poderia ou não ter sido iludida pelo verdadeiro pai de Jesus, não seria também um ato menos puro. Você percebe que ao pensar diferente você convenciona sua mente de maneira a pensar por conveniência religiosa católica, não por outro motivo.

Penso que Ele, Deus, Adonai, Eu Superior, reside dentro de nós, e antes de desenvolver a capacidade de visualizá-lo, devemos desenvolver a capacidade de senti-lo. Assim como é encima é embaixo, já dizia o velho axioma hermético e só aquele que definitivamente atingir a consciência crística dentro de si terá a Sabedoria do próprio Deus para compreendê-la e o poder onipotente da Vida para aplicá-la em plena extensão.

A Cruz Católica Cristã em seu significado exterior é somente um símbolo de tortura e morte. A visão da cruz evocada na Igreja foi uma forma poderosa de criação de uma perigosa Egrégora, ardilosamente criada como uma maneira de impressionar a mente coletiva da população, por seres sórdidos e impiedosos travestidos na figura de padres ou diáconos, para impressionar a mente subconsciente da lembrança de um possível mas discordante evento histórico, que se diz ter acontecido na Palestina há cerca de 2.005 anos, quando um homem nobre, justo e bom, uma encarnação "única" de Deus, foi executado como criminoso sobre uma cruz.

Ora, o significado esotérico da Cruz é muito mais antigo. Ela provavelmente já existia como símbolo secreto milhares de anos antes da Era Cristã. Podem ser encontradas em cavernas e antigas templos da Índia e Egito templos da Índia e Egito, onde foi talhada em pedra muito antes do Cristianismo se difundir. A Cruz filosófica representa, entre outras coisas, a intersecção entre os princípios da matéria e do espírito para formar o quaternário que, quando inscrito dentro do quadrado, constitui a base do Conhecimento Oculto. A linha horizontal representa o princípio animal, pois as cabeças dos animais acham-se voltadas para a Terra. O homem é o único ser sobre o globo que permanece ereto. O princípio divino no seu interior o mantém moralmente ereto e, portanto, a linha perpendicular é o símbolo de sua divindade. A cruz representa sim, o Homem que agiu contra a lei e por meio disto transformou-se em instrumento de sua própria tortura. Desde o começo de sua existência como um raio do Divino Sol Espiritual, ele constituiu-se como uma linha perpendicular em direção à fonte da qual emanou no princípio.

Se você já fez a velha experiência escolar de fazer germinar sementinhas de feijão, num copinho de plástico com algodão, verá que a tendência da plantinha ali germinada será sempre partir numa busca vertical da luz, não importando a posição que coloque o copinho. O homem mundano por sua vez, para que galgasse os degraus da matéria precisou se distanciar dessa fonte com o fito de atingir o conhecimento, assim quando o raio levando o espírito humano ingressou na matéria, ele precisou desviar-se da linha original reta, que então se quebrou e gerando assim uma divisão na sua própria essência, e dividiu em duas partes a Unidade original. Estabeleceram-se uma vontade e uma imaginação próprias, capazes de atuar em desacordo com a Lei, e muitas vezes antagonicamente a ela. Se o homem passar a seguir novamente os parâmetros dessa Lei, ele será removido da Cruz e reassumirá sua posição anterior. "Tomar a própria cruz" significa, pois submeter os desejos pessoais às regras da Lei Divina. Isto sempre foi assim, desde os textos religiosos mais antigos que a Igreja desavergonhadamente se apropriou para si.

Oras, quem senão o homem espiritual, que tenha encarnado em forma terrestre e sido pregado na cruz do sofrimento e dos males da carne, com todas as suas tentações pode conhecer o significado prático e espiritual
dela? Jamais poderá, entretanto reconquistar sua liberdade sem vivenciar inteiramente tudo àquilo que lhe é imposto pela vida. Tudo está dentro de nós. O Uno, por meio da vibração, produz a grande diversidade de formas e a atividade universal. Entenda que, se examinar a multiplicidade de formas,  por meio do intelecto, chegará às deduções de que o que chamamos de Vida, Energia, Substância são manifestações de Dualidade, da união dos opostos que expressam o ternário ou a santíssima trindade. O que o ser humano precisa então é parar de acreditar que uma mente liberta gera todos os desejos e o sofrimento, pois isso é uma convenção religiosa no intuito de aprisionar e escravizar mentes. Sabemos, no entanto, que a maioria das mentes precisam ser impressionadas pelo divino para que paulatinamente voltem suas aspirações para a Iluminação. É por isso que nós magistas trabalhamos com todas as classes de seres sejam eles, elementais, almas humanas, anjos ou demônios, pois o que importa é que nossos atos nobres traduzam-se em felicidade de estarmos aqui e de fazer o nosso melhor para que finalmente possamos mesmo no plano da matéria transcender o estado de condensação. Isto não quer dizer que "todos" os prazeres, ditos como carnais vivenciados em estados condensados tragam sofrimento. O contrário disso é que uma vez encarnados estamos no campo das experimentações e como tal devemos nos mover pelo meio da estrada, que nos levará rumo a Unidade em nosso interior, mas cujo movimento nos conduza a nossa serenidade.

Somente o Ego é a causa das suas ilusões e você imagina que ele seja tranqüilidade, mas ele é na verdade a causa de suas dúvidas, posto que você aferra-se a ele como objeto de seus desejos e de suas compreensões limitadas a ele. Quer obter o conhecimento - transcenda-o. Compreenda então que o anseio pela luta da nossa unificação com o aspecto mais divino de nosso ser são a fontes de onde emanam nossa vontade real e verdadeira, mas também os seus desejos e as alegrias cujo resultado você experimenta como sofrimento,
mas que podem ser traduzidos também como conhecimento.

A porta para a solução desse dilema chama-se "Matéria", e tudo tem que passar por essa porta para que conceba verdadeiramente o princípio que chamamos de "Vida". Como magista e pesquisador, eu diria a você para que se quer buscar a fonte de onde emana o Sagrado, então reforce a prática do poder do que se acha dissoluto sobre o que se acha condensado. Direcione sua atenção para o que é dissoluto em detrimento do que for condensado. Leve essa consciência a todos os planos do seu ser. Realce em seu corpo a capacidade de pensar, ouvir e ver não a realidade imposta por preconceitos religiosos tolos e incompletos adeptos da falsa moral, mas sim de se ater a verdade que emana de seu próprio coração como órgão que ilumina a mente do ser, tornado-se finalmente um instrumento adequado para que a autoconsciência do Uno e o seu próprio poder (decorrente da unificação com Ele) atuem. Para isto precisamos conquistar e vencer todas as dores que o
processo possa acarretar. Quando a linguagem divina se fizer ouvir no interior do seu coração - quando o Rei, no seu íntimo, tiver consolidado o domínio, quando você tiver passado pelo batismo da água e do fogo e seu espírito tiver se tornado a vida do seu sangue, então você poderá dizer: Eu sou, eu vou e eu permaneço!

Khonx Om Pax!
Luz em extensão!