TRADIÇÃO OCULTA
POR FRANCISCO MARENGO  




Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei


Falar sobre o tema "Tradição", "Tradição Esotérica", sempre despertou uma profunda curiosidade nas pessoas. Então decidi fazer um texto relativamente simples para que houvesse um perfeito entendimento do assunto, até mesmo compreensível para o público leigo. 

Tradição é um método espiritual de aprendizado, seja ele no campo mental, físico e espiritual que por vezes se revela com uma certa praticidade e outras vezes se revela ser extremamente intrincado, de modo a trazer o adepto a uma profunda realização interior, um experimento mágicko-espiritual no contato com energias ou seres astrais, no contato interior consigo mesmo "o self" ou "eu interior". 

Obviamente a existência de um sistema se deve ao fato de que este já tenha sido testado e comprovado anteriormente na prática, o que origina uma diretriz básica de ensinamentos que se mesclam parte em temas teóricos, parte em aplicações práticas. Para todos os efeitos deve ser levado em conta a eficiência de determinada linha de ensinamentos, e a sua real possibilidade de realização. 

Sistemas muito intrincados podem levar a duas interpretações: ou o sistema oferece algum risco a sanidade mental do pretenso aspirante pois é um sistema deveria ser melhor estudado antes de ser levado a sua aplicação prática - cito o exemplo da transcrição de Mac Gregor Mathers da obra "A Sagrada Magia de Abramelin" - ou então, é uma enorme balela pois trata-se de orientações muito difíceis de serem seguidas e realizadas no dia a dia, algumas chegando a parecer receitas de antigos Grimórios. Para todos os efeitos é preciso ser entendido que ensinamentos Tradicionais verdadeiros devem acompanhar os aspectos da modernidade, bem como as dificuldade oriundas em sua aplicação, para que lentamente ocorra o despertar no homem dos seus "dons adormecidos".


É muito importante ressaltarmos os aspectos que caracterizam os caminhos ou Sendas Espirituais e complementá-los dizendo que nem sempre determinado caminho corresponde a aspectos Tradicionais de aprendizado. O que importa então é distinguir se tal caminho preocupa-se ou não com a evolução da espécie humana. Se a causa primária de sua existência é realmente o aprimoramento do ser humano, que visa a sua liberdade e o conhecimento das Leis Naturais que regem a vida, como uma forma de entendimento de sua própria essência. 

Logo o primeiro passo do aspirante é verificar se há consonância do caminho seguido com a sua Verdadeira Vontade. A capacidade de provocar a comunhão consigo mesmo, e com o ego alheio são virtudes que muitos poucos entendem realmente. A profundidade de tal aprendizado precisa ser seguido por uma hierarquia que determina o nível vibracional mental e espiritual evolutivo também chamado de Iluminação e Evolução. Esta hierarquia é a escada ascendente determinada por graus cuja obrigação maior dos irmãos mais evoluídos na escala, é de orientar aqueles que os precedem no caminho. Por outro lado, nem sempre a capacidade de realização de um ato mágicko reflete diretamente no grau evolutivo. 

Determinadas pessoas possuem em sua anatomia oculta um desenvolvimento de seu corpo astral, energia vital, bem acima da média humana, cujos fatores desse desenvolvimento são inúmeros, dentre os quais procuro chamar de herança genética astral, por se tratarem de um fenômeno físico-astral, o que nem sempre refletem na natureza ou caráter de um indivíduo. São na realidade pessoas assim responsáveis pela criação dos mais diversos "cultos" criados de um dia para noite, os quais se verificados por estudiosos do assunto concluem não possuírem a profundidade em seus ensinamentos. 

Situações assim geralmente se transformam rapidamente em obstáculos cármicos, os quais pretendem o despertar do indivíduo, como se fosse um tratamento de choque, contudo há de se diferenciar aspectos de que não devemos crucificar o inovador que leva uma palavra "Nova" sem antes avaliarmos profundamente o seu real significado. Inúmeros filósofos dos mais diversos segmentos sociais sempre foram poucos compreendidos em sua época, e até por que não dizer muito tempo depois. 

Para que haja uma Verdadeira Experimentação Mágicko-Espiritual não se faz necessária uma Tradição, contudo de pouca valia terá esta experimentação se a pessoa não souber lhe dar o devido valor. A Disciplina Mágicka em uma Tradição Verdadeira é rígida, pois não há como conceber determinado aprendizado se as concepções do indivíduo são dogmatizadas ou com tendência a indolência mental.

A rigorosa disciplina imposta por uma Tradição impulsiona o aspirante a sua auto-superação. É muito importante analisarmos ambos lados de uma moeda. Supondo que uma pretensa Escola de Pensamento, Ordem ou Irmandade, como preferirem, resolvam propor então os chamados caminhos fáceis, onde não hajam comprometimentos nem abnegações, nem disciplina, o resultado poderá ser "nenhum", ou então no mesmo caso, o indivíduo que julgar-se apto para galgar uma instância superior, por julgar-se simplesmente apto para isso, o mesmo estará atraindo para si uma perigosa Ordália chamada de Segunda Morte no qual este precisaria estar preparado para assumir tal posição que sempre se dá no campo astral e mental.

Geralmente nesses casos a sua imprudência poderá levá-lo a loucura plena, a escravidão de seus vícios e finalmente ao total arraso financeiro; e isto não é nada incomum, os descuidados jamais tentam interpretar um simples ditado: "Quem não tem competência, não se estabeleça".

A Tradição Oculta sempre desperta então um profundo fascínio nas pessoas, principalmente quando tratamos do termo "Magia", desenvolvimento de poderes latentes, mas por mais que tais assuntos nos causem interesse, convém sempre lembrar que tais "poderes mágickos"são apenas detalhes de um processo dividido em estágios cuja perspectiva fundamental é a evolução da raça humana como um todo. Aqui devemos considerar que no Ocultismo os chamados "segredos", não são segredos e sim Verdades que precisam ser explicadas, interpretadas e vivenciadas. Assim cada homem e cada mulher são estrelas com órbitas diferentes, e por serem assim acabam por buscar determinado ensinamento ou caminho numa Tradição que melhor se adapte a sua realidade interior. 

O fato de um médium realizar efeitos físicos, o que não raramente acontece por aí, não o torna um Mago, pois tais energias são similares a um cavalo xucro que precisa domado, pois ainda lhe falta o conhecimento interno para tal, que deve ser adquirido através dos Ritos Iniciáticos na sua mais profunda "Gnoses"(conhecimento e contato com o seu "Eu Interior").

A magia lida com forças que estão muito além da nossa vã filosofia; ela lida com Seres Inumanos, Forças Naturais e Cósmicas e de um complexo sistema de Energias sutilíssimas. Tal coisa é impossível de se aprender por conta própria. Há riscos, e as vezes os fenômenos prejudiciais propagados por pessoas incautas não se manifestam imediatamente, senão "a posteriori". A pessoa consciente de estar buscando um auto-desenvolvimento sem a ajuda de um verdadeiro mestre de alguma séria Ordem Espiritual para guiar-lhe nos primeiros passos, deverá também estar consciente da sua total impossibilidade na Assunção Espiritual, pois nem o fato dela acreditar que pode seguir o caminho por si só, não irá significar que isto seja Verdade. Por esse motivo, na tradição mágica a presença do mestre é obrigatória. O mestre é uma pessoa mais experiente que já passou pelos ritos e que possui autoridade tanto física como espiritual na Ordem a que pertence. Ele ensina ao discípulo os ritos seculares, avalia sua progressão espiritual , pois sabe quais são os efeitos que indicam quando o discípulo está no caminho certo, coisa que seria impossível para o buscador avaliar sozinho dado que ainda não possua critério algum para tal avaliação. O mestre orienta, alerta e exige mais do que o discípulo está disposto a dar, pois muita coisa na magia requer coragem, ousadia e persistência.


As Tradições Espirituais foram divididas, pela sua origem, metodologia de autodesenvolvimento, contudo permanecendo a mesma base de ensinamentos ocultos, às vezes variando em alguma forma de interpretação, mas nunca em sua essência. São elas: "A Tradição da Serpente e a Tradição da Pomba".

A Tradição da Serpente é mais intuitiva e ativa, é a linha dura do aprendizado oculto que costumo dizer ser como um tratamento de choque, nesta, a percepção intuitiva do mestre precisa estar aflorada, pois se estivermos na beira do abismo de nossa mente o mestre não hesitará muito em dar-nos um empurrão. Assim o discípulo vai comprovando na prática seus ensinamentos da teoria simultaneamente, e por isso exige uma dose maior de disciplina, sangue frio, boa saúde física e mental, pois os riscos são muitos e inesperados. Alicerça-se a teoria e aprende-se na prática pela prática. E para muitos nada melhor do que isto. Na Tradição da Serpente ressurgem os cultos Draconianos Antigos é o despertar dos Deuses e Deusas primevas que são revividos pelos discípulos em seus Ritos Iniciáticos , além dos mistérios e Ritos Mágickos Egípcios de onde teriam grandes Iniciados bebidos em sua fonte. São também sincretizados na lenda do Mago Merlin e na essência Templária; na vivência de Rituais Orientais Mântricos, Tântricos e Yântricos e da antítese na Invocação da Goetia (invocação de demônios) e da Teurgia (Invocação de seres angélicos e de elevada estirpe espiritual), ou seja, ritos da Mão Esquerda e da Mão Direita e Ritos oriundos do templo de Salomão; como foi o caso de diversas Ordens dentre as quais a Ordem dos Iluminatti, a Golden Dawn entre outras. Os discípulos desse Caminho baseiam seu aprendizado no conhecimento de ambos lados haja visto, serem pertencentes a própria essência humana, pois não há luz sem sombras, e nem o bem nem o mal. Verdadeiros discípulos da Tradição da Serpente compreendem perfeitamente que a interferência na órbita alheia gera-lhes o Karma.

Da Tradição da Serpente se originaram os mais diversos cultos tais como a Bruxaria, Druidismo, Seitas Afro, etc. Convém explicar aqui, que tais cultos correspondem a um desenvolvimento no círculo externo do aprendizado oculto, o que limita o buscador no início e em alguns casos no meio do caminho, jamais no fim.

A Tradição da Pomba ou Via Cardíaca é linha suave do aprendizado Oculto. É a conexão com a Alma do Mundo, que ensina através dos sinais e dos símbolos por meio da intuição e principalmente pela inspiração. Nela são vividos os conceitos Osirianos de Sacrifício, Morte, e Ressurreição, que podem ser bem compreendidos com a leitura dos "Exercícios Espirituais" de Santo Inácio de Loyola. Todas as Ordens de influência Franco-Maçônica e algumas derivadas da Maçonaria Egípcia seguem tal Tradição. Este caminho é o recomendado para pessoas principalmente com saúde debilitadas, por ser mais lento e por não oferecer praticamente nenhum risco aos discípulos desse caminho. Não é incomum haverem Ordens deturpando Verdadeiros ensinamentos Ocultos ligando sua influência no meio político ou até na busca da realização financeira, cobrindo-se pelo véu ilusório da matéria (Maya); sendo que esse seria o maior dos riscos por parte de seus seguidores.

Ambas tradições são necessárias para o aprendizado mágico, e uma não pode existir sem a outra. A serpente e a pombas são análogas assim como o simbolismo do Tao, o Yin e o Yang, o positivo e o negativo, a ação e a reação. 

Assim, seja qual for o Caminho escolhido este deve ser conquistada pelo esforço, como a serpente do caduceu que morde a própria cauda e a pomba que traz a iluminação superior, objetivando o contato pleno com o seu "Eu Superior" ou SAG (Sagrado Anjo Guardião). Jamais se deve confundir a Tradição da Serpente e os rituais da mão esquerda (Tântricos) com terminologias tais como Magia Negra ou Magista Negro. Tal atitude mágicka de alguém refere-se aquele que se rendeu ao próprio demônio do Ego, e se tornou falso, ilusório, escravo de seus vícios e da matéria, em outras palavras tornou-se um feiticeiro por assim dizer e não mais um Mago que como Iniciado visa a evolução da espécie humana; e definimos evolução como a expansão de nossa consciência. Estamos todos na base da pirâmide, e almejamos todos o contato com os Mestres Secretos ou Mestres Ascencionados como preferirem.

Creio que a terminologia magistas negros se aplica melhor as religiões de poderes atemporais, que pregam determinadas doutrinas como o amor ao próximo mas na prática agem de outra forma, controlando verdadeiros impérios financeiros e políticos, além de dogmatizar e limitar a mente daqueles que lhes são envolvidos. Pobres esoteristas somos nós diante de seu poder verdadeiramente maligno. Não vou dizer aqui que não existam esoteristas inescrupulosos, mas estes com certeza não são esoteristas e sim pseudoesoteristas, que apesar de causar o mal aqueles que lhes são vítimas de seu engodo, causam menos mal do que os cultos religiosos mencionados acima.

Então temos na Ciência Oculta a base teórica, e na Magia a base prática e Mística, um complementa o outro, e podem ser entendidos como exteriorização e interiorização. A magia sem a mística se torna uma prática cega e vice-versa, digo isto já rebatendo algumas linhas de pensamento que buscam seguir somente um ou outro caminho. A mística se dará na comunhão interior com Deus, Deuses ou Deusas, servindo como bússola na orientação para os ideais do auto-conhecimento. A mística é o despertar interior dos verdadeiros valores da vida que podem se resumir em amor, esperança, harmonia, sabedoria e fé. Dela nasce o verdadeiro código de honra e ética do Guerreiro da Luz. Assim, a magia não deve agir sem a mística que é sua força e sua intenção, o que diferentemente disto se tornaria feitiçaria, onde o magista apenas busca resultados.

A Tradição Esotérica moderna tem como base de seus ensinamentos filosóficos, as práticas de meditação e introspecção ensinadas pela Yoga; as técnicas de assunção e de visualização mental na Kabbalah hebraica nas suas dez esferas também chamadas de Sephirot e pelos vinte dois caminhos que ligam as esferas uma a uma. A Kabbalah é analogamente associada em suas esferas aos graus Iniciáticos que se ligam os discípulos, sendo ela é totalmente dependente de um mecanismo específico, que deve ser seguido minuciosamente; e finalmente as práticas do hermetismo cuja base filosófica está no Caibalion escrito por Hermes Trimegisto, o maior de todos os sábios egípcios, cuja base de seus ensinamentos teria inspirado definitivamente a doutrina Esotérica como um todo. 

O Caibalion é leitura obrigatória a todo sério esoterista, por o mesmo compreender que eficácia de suas fórmulas dependem de sua atitude mental como operador, cujos reflexos são assimilados pelos seres com o qual deseja contatar. Vale neste contato a força de vontade, seguido a intenção do operador (uma causa nobre) e objetivos definidos e fins justificáveis, pois assim tais seres perceberiam se o magista assim desejar, o seu corpo astral, que adquire uma forma mais ou menos luminosa semelhante a figura do pentagrama. Eu disse se assim ele desejar, pois o Magus normalmente reveste a sua estrutura psicoespiritual com um véu obscuro cujo mistério está inserido em sua própria essência.

Já os poderes mentais são as " faculdades latentes" no indivíduo oriundo de experiências místicas, diferem de um ato mágicko pelo fato de se darem em âmbito interno ou interiorizadas. Um ato mágicko são as forças empregadas que não pertencem ao operador, ele apenas as dirige por meio do ritual destinado a uma corrente específica de energia astral, neste entram todos os elementos que obedecem as leis herméticas de correspondência, ou seja, as fórmulas mágicas, sons específicos (Mantras), selos e símbolos traçados no ar e no solo, os perfumes específicos, os minerais, as cores, os planetas, os metais, apetrechos ritualísticos (espada, baqueta, cálice, pentagrama,vestimenta), os cristais, os incensos, o carvão e todo o corpo de elementos que visam atrair determinada corrente astral. 

É nesse momento do ritual que se abre um vórtice ou portal tridimensional entre os planos físico e astral, logo as correntes astrais que se sentirem atraídas por essa abertura originada pela imantação astral, virão. Isso estabelece a chamada Cadeia Mágicka, cadeia essa estabelecida pelos signos, pela palavra e pela atmosfera criada na qual o ser vai encontrar concordância. Vale aqui o alerta que o operador deve estar pleno com sua Verdadeira Vontade manifestada interiormente pois do contrário haverá sério risco no controle do magista sobre as forças manifestadas, pois uma vez aberto um portal, outras energias ou formas de inteligências extra-físicas podem transpor o mesmo. Esse é um ponto importantíssimo na magia ritual cuja falha dessa precaução pode levar o magista a danos psíquicos irreversíveis.

Assim na operação mágicka é temos uma síntese de Saber, Ousar, Querer e Calar e o magista estará de posse do principal segredo dos Templários representado pela efígie do Bode de Mendes ou Baphomet (o qual a igreja católica o personificou erradamente como a figura do diabo), os dois pólos de toda a ação: o pólo de ataque projetado pela banqueta magnética de ponta redonda (Coagula) e o pólo de defesa e de dissolução pela espada mágica de ponta aguçada (Solve).

O pentagrama simboliza a autoridade do magista, cuja autoridade, dependerá como dissemos de sua atitude mental e expressa Vontade Mágica. Outra advertência vale ressaltar sobre o perigo do uso do pentagrama na mão de inexperientes, visto que a direção de suas pontas podem alterar todo o curso da operação. 

Se o magista trabalha com o mesmo, com as pontas viradas unicamente para cima, descuida-se das correntes astrais inversas, ao contrário do que muitos pensam. O próprio Levi percebeu isso na prática, pois ao realizar algumas invocações com o pentagrama virado com uma ponta para cima, terminava desacordado a operação como que fuzilado por um raio. Tal fato, este nunca chegou a admitir publicamente.

As correntes astrais obedecem fluxos magnéticos que operam nas polaridades tanto positivas como negativas (Yin e Yang), assim uma completa a outra. Todos sabemos que a eletricidade (fohat) obedece o mesmo princípio magnético (vide lei das polaridades no Caibalion), ou seja, para que haja energia você necessita de ambas polaridades. O mesmo ocorre no campo astral, o pentagrama com a ponta para cima, a polaridade positiva, representa a união dos quatro elementos como símbolo eterno da manifestação ou quintessência (é o homem com os braços e pernas abertos), já o pentagrama invertido com duas pontas para cima representa a polaridade negativa (erradamente utilizado em rituais bizarros satânicos ou de feitiçaria dada a sua movimentação energética e simbolismo no próprio diabo com chifres, o que denota uma total falta de conhecimento no assunto, além de atraírem para si uma enorme carga nefasta que se manifestará rapidamente em seus processos cármicos dada a intenções fúteis). O pentagrama invertido tem o seu simbolismo mágico nos chifres (as duas pontas para cima) que é sinal da sabedoria. Afinal como menciona Levi, o diabo é o agente mágico universal. 

Em nossa Tradição , aprendemos que a utilização correta desse símbolo é um sobreposto ao outro, o que é sinal de harmonia energética ou mágico-astral. Aqui aproveito e teço uma dura crítica a alguns pretensos esoteristas que desvirtuam o uso da nobre Ciência, e acabam por se destruir a si próprio e quem lhes acompanham levados vícios e outras mazelas destrutivas da Verdadeira Vontade, bem como aos puritanos, tidos como bonzinhos com suas teorias tolas, vazias e dogmáticas de pouco valor realmente evolutivo pois não causam nenhum despertar interior, os quais jamais chegaram a conhecer a prática mágica verdadeira, a estes eu digo, olhem o mundo a sua volta e tentem vivenciá-los com intensidade ao invés de se fecharem em suas redomas de vidro que por vezes se tornam opacas, por não desejarem simplesmente enxergar a dura realidade da vida senão a si mesmo e seus próprios egos inflamados. O melhor caminho é o caminho do meio.

O Treinamento Pessoal são os exercícios que o magista aspirante deve empreender para estar apto à realização mágica. Assim, tais exercícios visam tornar desenvolver o corpo astral do magista, além de fortalecer e purificar a sua vontade e preparar sua mente, seu espírito e seu corpo em sintonia com a Grande Obra que será empreendida pela sua Verdadeira Vontade.

Todos os apetrechos mágickos e local ou templo devem ser consagrados. A consagração constitui-se de imantações mágicas que visam impregnar luz astral nos determinados objetos e sintonizá-los com toda a atmosfera, porém compreendendo que quanto maior a importância e solenidade em sua consagração maiores serão as virtudes desses objetos. Desse modo, podemos supor que a consagração visa ligar um filamento de energia com as esferas astrais que com o tempo e uso, os apetrechos e local consagrados tornam-se ainda mais "carregados energeticamente" . Todos objetos e apetrechos que utilizamos diariamente, mesmo os vulgares (roupas, adornos, etc.), recebem naturalmente uma dose de nossa energia astral, podendo se tornar endereços astrais (freqüentemente utilizados na feitiçaria). 

Existem pessoas que desenvolvem o "dom" da psicometria que é capaz de evidenciar o dono do objeto pelo toque do mesmo, inclusive detalhando aspectos de sua vida tal como se fosse uma impressão ou identidade astral. Percebem suas boas ou más energias que os circundam, em grande ou pequena quantidade, além de ver fatos e que se ocorreram na sua presença, mas que ficaram registrados física e astralmente.

Mago é o grande maestro que rege a sinfonia cósmica da natureza, pelo poder de sua Vontade e mente disciplinada dirige a luz astral que é a substância que tudo circunda. A Luz Astral é responsável pelos fenômenos mágicos e pelos resultados das faculdades humanas. Assim, é por meio dela que ocorrem os fenômenos de telepatia, levitação, magnetismo, etc... Seu símbolo é a serpente. Está no caduceu, onde "ob" é o seu aspecto fatal; "od" seu aspecto bendito e "aur" é o seu ponto equilibrado, mas que está acima do livre arbítrio de "ob e od". 

O domínio o da luz astral é a meta do Mago. Porém para movimentar o dom da serpente é preciso conceber que o Mago precisa estar livre da obsessão inexistente do pecado original e do mal moral. Os grandes homens da história eram rebeldes em sua essência, pois sabiam que em suas pesquisas se deixassem que falsas acepções morais dominassem suas mentes seus conceitos se distorceriam e cairiam por terra. Isso porque eles preferiam o livre arbítrio ao invés de aceitar o serviço de um deus falso e dominador criado pelas religiões dogmáticas.

O dom da serpente é sedutor, o poder que ele garante pode dar a ilusão de onipotência ao operador, pode cegá-lo, e encarcera-lo nos laços da paixão doentia. Se o magista deixar-se abater pelo dom da serpente estará dominado, e sem poder de decisão. É por esse motivo que na magia é imprescindível disciplina e dedicação. Eis o que o Mago deverá colocar o pé sobre sua cabeça da serpente e conduzi-la a de acordo com a vontade do operador.

Mas o Mago sabe também que para adquirir o poder mágico se faz necessário libertar-se da escravidão dos sentidos e colocar sua vontade sob controle, como uma vontade soberana.

Existe ainda um outro agente mágicko. Um agente que não depende da vontade humana. Um agente que age espontaneamente, oriundo da vontade do "Eu Superior" ou SAG (Sagrado Anjo Guardião). Esse se manifesta no magista quando este a aceita o seu Dharma ou missão de vida. É a manipulação da magia sagrada, cujo símbolo é a pomba. A pomba branca é espontânea, pousa desinteressadamente naquele que simplesmente aceita a vontade "daquele que sendo eu é mais do que eu mesmo". 

Ela é responsável pelo verdadeiro milagre que leva o magista a Assunção, desde que a sua mente livre-se da carga dogmática. O mago se torna um canal do ideal divino, que é aceito pela alma devido ao Amor Maior, como sentimento mais sublime no homem. Daí o magista percebe que não há lei maior que mova o universo e o coloque em profunda harmonia, então o Amor é a Lei maior. 

Porém não podemos interpretar essa situação como o homem escravo e sujeito às ações que não tem a menor vontade de realizar, e que sofre toda vez que é "marionete" das forças divinas. Não, essa união de interesses deve surgir espontaneamente no mago, ele deve servir voluntariamente, É a prática da Vontade Superior representada pelo aforismo hermético: "O que está no alto é como aquilo que está embaixo para realizar um único milagre".

Este milagre só é conseguido quando o Magista impõe a sua Verdadeira Vontade alicerçada pelo Amor Maior da vida e do Criador Supremo. Então o Amor é lei, amor sob vontade, e não há lei maior do que a possibilidade de nos libertarmos, de sermos livres em pensamento, pois se assim for, a vontade pode remover montanhas, fender os rochedos, e harmonizar-se que refletirá em sua vida na solução de problemas materiais e pessoais. Pela comunhão com as forças divinas é que se tem a verdadeira experiência e o verdadeiro conhecimento. Quando o ideal do superior e do inferior é o mesmo, há união em essência (amor).

O amor espontâneo, aquele que aperta o coração, que quase sempre exige coragem ou renúncia, assim o mago trabalha em suas as relações com a natureza. Esta é a verdadeira magia sagrada que trabalha com as relações do homem com a divindade. Os verdadeiros magos haverão de dominar os poderes da Terra e do Céu. Esta é a verdadeira Teurgia. Termino então este capítulo dizendo lembrando então que o homem para ser liberto e um verdadeiro magista precisa se libertar então lembro Crowley ao dizer:

"Amor é a Lei, amor sob a mais profunda vontade e sem a hipocrisia da compaixão doentia, então ames e realizes a tua Verdadeira Vontade."