Suprema Natureza
by Papus

Estou sentado sob uma
árvore, à margem de uma estrada, enquanto um regato desliza a alguns passos;
insetos afanosos saltitam nas ervas, e lá no alto, no céu, o sol ilumina com
seus raios toda a cena.
Todas as impressões
que eu sinto neste momento vêm da natureza física, do mundo das formas não
eram senão a vestimenta que envolve cada parcela da força conservadora do
universo, e eu que sei, no seixo que está adiante de mim , como na árvore
aquele me encontro e nas ervas que me rodeiam, como nos insetos e nos pássaros
que vejo uma mesma força que circula mantendo mantendo por toda a parte a
vida sob o impulso do princípio criador do universo, da natureza. Esta força
que me circunda também preside a elaboração da seiva da árvore, é a vida;
a vida, fonte das ilusões desse mundo, cujo móvel secreto é o amor e que
une todos os seres criados pela cadeia sutil das correspondências. E quando
os seres terrestres parecem estranhos uns aos outros por suas formas, aquele
que possui a ciência do amor, saberá encontrar sempre o laço vital que une
em um só toda a criação.
Mas a terra sobre a
qual tudo se apóia, a água que torna a terra fecunda e o ar que eu respiro e
que alimenta minha vida, da mesma forma que o calor, a luz, a
eletricidade, modificações em diversos graus do fogo sutil constituindo o
sol, tudo isto vem auxiliar a vida em suas manifestações. E diremos mais
ainda, tudo isto se constitui nas diversas fontes, graças as quais a via
circula nos seres terrestres vêm, sem cessar, purificar-se, transformar-se e
renovar-se.
Quando vier a noite,
todas as estrelas fixas, todos os astros errantes e todos os seus satélites,
que a ciência permite divisar, virão revelar-me que a terra não é mais que
uma das células deste organismo gigante denominado universo.
E é então que eu
poderei compreender como a difusão da força animadora é regulada no
universo pelo movimento dos astros; é então que eu verei, da terra onde me
encontro, aparecer no céu o majestoso quadrante zodiacal, sobre o qual o sol,
a lua e os planetas de nosso mundo marcam, em caracteres de fogo, a hora da
natureza.
É somente então que
conhecerei as modificações trazidas à vida universal pelas diferentes horas
do céu, e neste momento, sublimado pela meditação, minha vontade porá a
parcela vital que anima meu organismo em comunhão de amor com a Natureza
viva, princípio conservador das formas do mundo em que vivemos.
Surpreenderei a Unidade
primeira em ação na infinita diversidade, e, vibrante de entusiasmo, meu espírito
já livre, perceberá como em sonho, a reintegração futura da centelha
divina que o constitui na majestade luminosa da eterna divindade.