O Processo é Lento e Contínuo  

por Frater Magister

Escrito no Templo da Ordem

em

Anno IV:xv
Sol in Aries, Luna in Libra
Dies Lunae
02/04/2007 e.v.

        Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei

        O processo é lento e contínuo. Magia é uma energia transformadora. Ela preenche os espaços, se adapta no ambiente, faz o milagre acontecer, ressuscita os mortos, cura os doentes, transforma, transmuta, modifica, reacende, renasce. É um manancial cósmico inesgotável. No Ocultismo, a palavra pragmatismo, genericamente definida, significa que o real teste da aplicação prática. Em outras palavras, se uma coisa tem um valor prático, útil, então seu princípio, a idéia em que ela consiste, é verdadeiro.

        Ora, segundo este conceito, até que ponto podemos provar que são verdadeiros os princípios que viemos demonstrando? Simplesmente, podem vocês aplicá-los praticamente, não só em seus assuntos pessoais, mas, também aos problemas sociais da atualidade? Devemos  lembrar que nós não devemos ser seres limitados. Todos nós temos uma relação que compõem a sociedade humana. Se limitamos nossa concepção a meros seres materiais, tal como o corpo orgânico e suas exigências físicas, então não estaremos concebendo o ser humano no verdadeiro sentido místico e cósmico. Imaginemos que sejamos duas pessoas com nossas Vontades, e neste caso se minha Verdadeira Vontade é ajudá-lo, ou seja, ela foi imposta, emitida, enviada, acesa. A sua Verdadeira Vontade deverá ser: aceitar essa mudança, de corpo, coração e alma. A sua atitude e negatividade lhe destroem mais do que qualquer trabalho mágicko negativo, mais do que qualquer empecilho, obstáculo que possa suplantar. A continuidade de fatos desagradáveis e contínuos é o reflexo de uma energia estagnada. Essa energia na mente de um homem faz com que ele realize atos impensados. O poder regenerador está dentro de você. Se o “start” foi dado, ligue então o gerador interno e permita se transformar. Que mais você precisa? Já não chegou ao fundo do poço? Ou será que nem dentro dele não é capaz para tomar as atitudes que seu interior clama, e que você sabe serem mais sensatas. O Mago é o mestre da vida, é o artista principal do palco que se desenrola no tempo e espaço contínuo de seu ser.  

        Coloquemos neste ponto que cada um de nós pensa em si mesmo como um ponto focal ou um centro de atividades que se desenrolam ao nosso redor. E de certa forma não é difícil indicar que, automaticamente, cada indivíduo considera a si mesmo, seus interesses e desejos, mais importantes do que os dos outros.

        O Rei Salomão um mago muito sábio. Nas passagens da vida deste iluminado, tem uma que gosto muito. Duas mulheres brigando por causa de um bebê e o fato chega até Salomão para que pudesse julgá-lo. Ele manda que seu soldado coloque a criança sob a mesa de pedra e diz: “Já que a disputa é tão acirrada, simples será a resposta. Soldado! Desembainhe sua espada e corte a criança em dois pedaços, e entregue metade para cada mãe”.

     A verdadeira mãe mais que depressa se lança entre a  criança e a espada. E Salomão manda suspender a execução e entregar a criança àquela mulher.

        O que se aprende com essa estória? Salomão agiu com imparcialidade, não demonstrou sua ira e nem se envolveu na disputa, mas fez com que o amor de ágape se manifestasse naquele momento, sob o risco de que se ambas as mulheres não fossem verdadeiras mães, ambas deveriam ficar sem o filho.

     Seria melhor a morte dele aos olhos de Salomão, do que entregar o mesmo a uma criatura despretensiosa e desprovida de amor verdadeiro.  

       Como podemos formar uma sociedade, se cada qual tiver unicamente  seu evidente interesse egocêntrico? Além disto, não deveríamos primeiro pensar no que significa sociedade - ou por que afinal uma sociedade? Se partirmos de cada um de vocês, individualmente, talvez cheguemos a uma resposta. Será que vocês são capazes de prover ou satisfazer todas as suas necessidades? Será que poderiam manter o Eu feliz e no entanto ser independentes de todas as outras pessoas?    O Mago agirá sempre com imparcialidade, não importa se o ato contrário for contra ele ou contra alguém que tenha estima, ou mesmo amizade. O Mago avaliará o ato com interesse científico e compreenderá cada ato e fará de sua arte e de seu conhecimento a direção de sua espada.

        Acreditam vocês que todas as coisas que estas palavras sugerem que podem ser realizadas por um indivíduo que limita o seu Eu exclusivamente aos seus próprios poderes físicos e mentais?

          Se uma fatalidade acontecesse e um ser com requintes de crueldade destruísse um ou mais entes queridos do Mago, ainda assim mesmo que seu espírito em transtorno gritasse por Vingança ou Justiça, ainda assim ele executará sua Vontade Mágicka com mente e atitude superior. Todo fim, toda finalidade requer um ato bem pensado e um caminho a ser percorrido.

         Como diria um Samurai: Eu não tenho inimigos, fiz da imprudência e da distração meus inimigos. Eu não tenho amigos, fiz da espada a minha amiga. Eu não tenho ódio, fiz da mente superior e das atitudes impecáveis o guia para minha ira. Eu não tenho paixões, fiz do amor único e universal pela sabedoria, vida, e por todas as coisas e seres a minha paixão. Eu não julgo e não dou o direito de ser julgado. Eu não critico e não dou o direito de ser criticado. A extensão de minha magia atinge exato, direto e objetivamente sempre até onde, quando e como eu determinar. Não penso na morte e não a temo até porque a morte é minha amiga e fiel confidente  e está sempre ao meu lado, a um só braço de distância. A magia negra não me atinge, porque o meu pensamento é consolidado, muitos não conseguem consolidar o seu, simplesmente porque adoram ser o escravo predileto de seus inimigos e de seus próprios medos e incertezas. Eu não luto eu sou um lutador, eu não guerreio eu sou a própria guerra dentro do espírito de um guerreiro, eu não faço magias, eu sou a própria Magia inserida na veste de um Mago.

         Pois bem, aqui está uma questão que é tanto mística como filosófica: Os homens formam a sociedade em função de certas necessidades e certos interesses comuns que os unificam, mas será que a própria sociedade não tem algo a ver com a criação do homem, isto é, uma influência decisiva sobre ele? Que faz essa união é para cada para com o indivíduo? 
           

           Digamos que  num círculo representa a sociedade, a nação ou o Estado formado pelo homem. Trata-se de uma entidade que o homem deu existência. O poder coletivo de que a sociedade é dotada pode ser por ela transformado em idéias, princípios, políticas e leis, que se irradiam e se difundem de volta aos indivíduos. Vamos considerar esta questão da seguinte maneira: O material com que a sociedade trabalha é apenas aquilo que cada ser humano nela introduz. Isto constitui o seu poder, um poder maior do que o de cada indivíduo. Mas a sua finalidade, o uso que a sociedade faz desse poder, não pode se elevar acima ou ter valor maior do que aquilo com que os indivíduos tenham contribuído coletivamente para a sociedade. Por exemplo, se tudo o que o homem deseja fazer é organizar outros homens numa sociedade com o fim de defesa mútua da fraqueza individual, então não temos mais do que uma sociedade organizada para fins militares ou de defesa, como, por exemplo, a antiga Esparta. Tal sociedade não pode devolver ao indivíduo outra coisa além dessa defesa, em princípio e na prática.

        Por outro lado, se nós, por meio de harmonização e meditação, chegamos a outras concepções, então podemos ter algo superior para oferecer à sociedade. Podemos chegar à conclusão de que a verdadeira felicidade e a paz entre os homens, coletivamente, dependem de que certas qualidades de sua natureza sejam expressas. Estas qualidades, em pensamento e ação, têm de ser transmitidas pelo indivíduo à sociedade, ou seja, à mente dos outros indivíduos de que a sociedade consiste. Tal sociedade, tal conjunto unificado de mentes, reflete-se então na espécie de cultura, na moral, no caráter e no idealismo, sobre o indivíduo. Torna-se uma motivação muito maior para estes objetivos do que aquilo que o indivíduo ofereceu isoladamente.

    Amor é a lei, amor sob vontade.