Potencias da Natureza
por Francisco Marengo
 
 

 
    As potências elementares da natureza são numerosas e deram nascimento ao panteão dos gregos e das mitologias orientais. O maior de todos os poderes é Zeus, o pai dos deuses,  o manancial onde todos os outros poderes se originam. Minerva, a deusa da sabedoria, jorrou de sua cabeça e sua origem é a mais nobre de todas. Mas Vênus, a filha do Sol, surgida do oceano da Alma Universal, tudo conquista com sua beleza. Ela mantém os mundos coesos no espaço pelo poder de sua atração, ligando as almas entre si, encadeando os semelhantes e todos filhos do poder universal do amor. Eles lutam entre si como crianças porque a ação faz surgir à reação. Ao amor se contrapõe o ódio; à esperança, o medo; à fé, a dúvida e assim por diante.
    Para controlá-los, o deus do Poder (Marte) tem que estar unido à deusa do Amor. Em outras palavras, as paixões têm que ser contidas em obediência à nossa Verdadeira Vontade.
    Existem diversos tipos de poderes e todos são sustentados em sua matriz elementar ou veículo: o Akasha ou Proteu Universal, gerador de todas as formas, que se expressam exteriormente como Matéria. Esses poderes formam um círculo eterno: a serpente, cuja cabeça deve permanecer mordendo a própria cauda. Esse simbolismo personifica a Sabedoria Eterna, cujas filhas são o Conhecimento, o Rigor e a Misericórdia.
    A Serpente que dá o Conhecimento não consegue fazer despertar e ascender a Kundalini ou Serpente do Poder, inserindo-se na alma enquanto esta permanece guardada pela ilusão, pela indolência e pelo vício. Se um pensamento oriundo de forças contrárias a emancipação d’alma, se imiscui no ser humano e não é rejeitado, passamos a abrigar um demônio em nosso coração, e teremos que levar em consideração as reivindicações dele.
 
    Contemporizamos, fazendo-lhe promessas, e assim induzimo-lo a permanecer, e ele, como um credor indesejado, continua a exigir mais e mais até que todas as suas reivindicações sejam atendidas.
    As tríades de princípios inferiores na constituição humana recebem nutrimento dos reinos inferiores da natureza. Se abusarmos excessivamente do corpo ou da mente sem buscarmos a elevação dos pensamentos, o elemento emocional ficará exacerbado, enfraquecendo o intelecto. Todos os abusos em demasia excitantes são prejudiciais ao desenvolvimento superior porque desviam a vida da atividade elevada e a torna subserviente aos princípios inferiores no próprio homem. A vida saudável em grande quantidade também é prejudicial pela mesma razão. O princípio vital que refina as energias inferiores em energias superiores é o mesmo que responde pela digestão dos alimentos. Se for esbanjado nos órgãos inferiores, os órgãos superiores definharão. Alguns homens estão tão habituados a comer carne e necessitam disso; outros estão acostumados a consumir álcool e sofreriam se tivessem que se abster repentinamente. Mas a carne e o álcool, em demasia, além de totalmente desnecessários ao organismo humano e com freqüência causam grandes danos.
    Sempre sustentado por Hórus, o magista thelêmico ao se encontrar no plano manifesto, se torna um ser opaco. Pois para suportar as ondas tormentosas dos desequilibrados e caídos aprende a anulá-las a partir dos mistérios inseridos em si mesmo. Após ser preparado pelo seu Instrutor, o futuro magista thelêmico é conduzido às hierarquias regidas pela Divindade previstas no Æon de Hórus que rege a nova fórmula de consecução espiritual, a qual já estava sendo semeada no plano material. Ao conhecer e estabelecer contato com Hórus ele passa a compreender o seu lado negativo, pois este não era dual, ou seja, ele não comportava, em si mesma, dupla polaridade energético-magnética, a tomada de consciência do homem sobre a escuridão e a luz, o par primevo de gêmeos ou Set-Hórus.
    Assim temos Hórus como sendo um dos pólos, o positivo, de uma Divindade planetária. Os thelemitas em particular, e todos os espiritualistas, em geral, deveriam estudar e aprender, pois, às vezes, a falta de conhecimento sobre os Deuses e Egrégoras levam-nos a cometer erros fantásticos. Englobam várias Divindades naturais sob uma única representação divina ou outras vezes cultuam uma Divindade negativa como positiva e vice-versa. Está certo que as 12 Divindades naturais são muito tolerantes com os novatos, mas o descaso dos thelemitas na busca dos verdadeiros conhecimentos é espantoso.
 
    Não estudam os aspectos fundamentais e preocupam-se unicamente em desenvolver uma cultura regular e muitas vezes um poder muito fraco que se relaciona a sua vontade pessoal, mal e mal executando alguns poucos rituais. É só isso o que fazem. E esses são aspectos subjacentes de um sistema mágicko-filosófico magnífico, talvez o mais rico já semeado no plano material. Ouso afirmar que, se os thelemitas se dedicarem ao estudo dos fundamentos dos rituais e dos Livros Sagrados de Thelema, terão à disposição um sistema mais rico do que as muitas religiões ou sistemas gregos, egípcios e hindus reunidos, pois estas estão dentro do contexto Thelêmico apenas com algumas de suas linhas de ação, reação e realização mais eficientes.
 
    Tais magistas não deveriam se acomodar e deixar para depois da morte física esses conhecimentos fundamentais. Ou então, que refutem como verdades incontestáveis o que abstracionistas têm divulgado por meio de livros, cuja linha é falsa desde seu início, pois desconhecem inteiramente quais são os verdadeiros elementos que compõem a natureza dos Devas que compõem elementos água, terra, fogo e ar, além dos minerais e dos vegetais - e quem são de fato as Divindades ancestrais formadoras do Panteão Thelêmico Sagrado. Se a semeadura de muitos ajudou em um sentido, tentando ordenar o caos, falhou em outros, pois criou uma tremenda confusão no que se refere às linhas de ação e reação por parte de Ordens ditas thelêmicas.
    A Divindade regente do atual Æon não é dual, isto é, não tem dupla polaridade. Após ser apresentado pelo Sacerdote Sagrado Ankh-f-na-Konsu – Sumo Sacerdote de Amon-Rá na XXVI dinastia, dela ter recebido por Aiwass o ministro de Hoor-Paar-Kraat também tido como Seth para os egípcios o Livro da Lei ou Líber Al Vel Legis, Aiwass reúne desde a Magia Egípcia à Magia Mesopotâmica lança ou espada simbólica, conduzindo a humanidade uma nova gnose que formava o exato oposto as
Divindades naturalmente estabelecidas.
    Chamamos tais divindades thelêmicas de "Divindades Cósmicas ou Universais" e as de dupla polaridade de "celestiais".
    Em minhas Iniciações fui em vias de fato apresentado a uma Divindade Cósmica como regente de um dos graus formadores do degrau celestial. Esta entidade era Hórus o deus da guerra, mas poderia ser Marte também. Portador de uma energia imensa chacoalhou todo meu corpo físico entremeios a iniciação que se apresentava.
    Com isso explicado, começamos a vislumbrar o alcance e o poder do Sagrado Senhor Hórus, o regente do atual Aeon em cuja fórmula sagrada de consecução mágicka dirige a força estelar do casal Nuit e Hadit, direto ao centro do planeta, dispersando o fluído telúrico para o alto rumo a Assunção Divina do Planeta (um ente vivo, que nasce, morre, sofre transformações) e com ele seus moradores - nós.
    O magista é conduzido em sua Iniciação Sagrada à dimensão regida pela Divindade que rege seu Sistema, seja ele regido por uma Divindade negativa, neutra, positiva ou de dupla polaridade. Não só é conduzido, como permanece nela por um longo tempo, estudando-a e aprendendo a lidar com os processos energético-magnéticos e magias cósmicas, que poderiam são ativados pelos encarnados por meio de chaves mágickas que a eles são transmitidas pelos seus instrutores.
 
Khonx Om Pax!
Luz em extensão!
 
Fraternalmente;
 
Francisco Marengo
Frater Magister.'.'.'
E.I.E. Caminhos da Tradição
www.cursosdemagia.com.br