PENTACULUM

                                                                              Francisco Marengo  

 

"Com a Baqueta, Ele cria.

Com a Taça, Ele preserva.

Com a Adaga, Ele destrói.

Com a Moeda, Ele redime.

Liber vel Magi, vers. 7-10"

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei 


Onde estaria o abuso do poder? A falta de ética naquilo que é explicado num campo esotérico? Onde existe a culpa? O Saber não macula a alma imortal, e nem saqueia-lhe suas virtudes, falta dele sim. A busca ao Saber destina a alma imortal ao trabalho de purificação, de onde se estabelece a conexão com a força límpida perdida na noite dos tempos.

A meditação constitui-se na fórmula mágicka para o aumento da sensibilidade. É através dela também que se aprende a utilizar a radiosa força interior, que precisa ter suficiente poder para emanar o equilíbrio com as forças do Tetragrama Sagrado, os quatro elementos, e os seres a eles associados. Esses seres constituir-se-ão de ajuda em seu trabalho obstinado para a ascensão interior ao Espírito Divino.

O Ternário expressa a manifestação das formas, quem aspira a Ciência Sagrada, deve aspirar ao seu sentido tríplice para que a manifestação ocorra, pela própria manifestação da divindade invocada em sua alma através de um êxtase divino. O selo sagrado da divindade deverá estar impresso e a substância astral que impregna o selo por sua vez deverá estar impressa na mente consciente e subconsciente. O cálice deverá ser impregnado com essa mesma substância, essa mesma essência, e o adepto dele sorverá lentamente o seu conteúdo. Assim sentirá que a purificação interior ocorrerá e será calcinada pelas chamas celestes. Assim, readquirida a pureza dos sentidos, suas virtudes serão exaltadas, e os dons supremos manifestados.

Numa canção o importante é a afinação e a harmonia das notas, em magia a verdade é medida pela razão, mas é nesse ponto em que muitos pecam, pois a fórmula do raciocínio do magista está implícita no Arcano do Louco. É uma razão envolta numa loucura divina, onde se poderia substituir essa loucura pela inspiração. A razão entendida na forma profana é o próprio desvario, pois o leva constantemente a um impasse. Pois é uma razão envolta com a sede do Poder e da ambição, e o desvia de sua destinação. Nessa ambição, nesse desvario está também a compaixão hipócrita e a concórdia, por isso mesmo deve-se permanecer com seus sentidos em alerta, pois as grandes verdades são propagadas pelo princípio de retidão, mas por aqueles que sabem andar pelos extremos, sem se desvirtuar do caminho.

Qual é o momento para o ingresso no caminho? É no momento exato do que chamo de "Agito do Louco", exatamente quando sentimos que perdemos o nosso horizonte magnético e nos encontramos desnorteados. Infelizmente tais conhecimentos também atingem a camada infeliz de prepotentes e ególatras, mas felizmente para esses as criaturas qliphóticas estarão prontas para assimilá-los em sua própria forma doentia, que jamais vencem o limiar de sua ignorância. Pois, jacotosos acreditam estar cheios de verdade e fazem promessas para renovar o mundo.

Não, nós humildes magistas não precisamos de tais salvadores. Não cremos na danação eterna e muito menos no paraíso celestial infinito. Cremos no trabalho. Cremos que o véu de mistério que envolve forças perigosas, só são  perigosas de fato para os pedintes e os fracos de caráter e de espírito. Cremos no desenvolvimento do intelecto flexível, sem vaidade e estreiteza, como fórmula para a busca do bem estar social. A sensatez deve ser aliada à persistência e a energia. A Iluminação Interior contrapõe-se ante a densificação das trevas e substitui a fé cega fanática pela Sabedoria Arcana no Templo do Gral. 

Crowley já dizia que o ouvido é o veículo do Akasha. Nenhum médico descobrirá a alma ao dissecar um cadáver, e por isso mesmo talvez recorra ao materialismo para explicar as leis naturais, levando em conta a intolerância científica, que é a predecessora da intolerância religiosa, ao não perceber e nem querer compreender o campo das energias, ridicularizando assim, de forma insolente o ato divino da criação. Disputam o clero e muitas outras seitas, envolvendo muitos em sua falsa religiosidade envolta por idolatrias, alicerçadas por vezes em leis balizadas nas mutáveis ciências exatas, por onde depositam hipocritamente sua razão mesmo que cruel e materialista, crescendo e fornecendo a desejada fé cega, como uma forma para encobrir sua vergonha e sua falsa moralidade.

Amor é a lei, amor sob vontade.