A Noite Escura da Alma

Francisco Marengo

Haveria mesmo o abismo que separa a palavra do ato, a idéia da concretização? Difícil são aquelas horas, que nos momentos de agonia,com o coração gelado, buscamos trazer para si, todas explanações que nos levam ao Pai. A noite escura, o momento que desmorona toda a nossa soberba, tornando-se difícil suportar os golpes da provação, que se enreda a nossa frente. A Vontade flui escapando do nosso ser, carregada pelos nossos medos e pesadelos.
           

            Querer, querer, eis a chave, constantemente aprendida em nossos momentos de estudo. Neste momento, baixamos a nossa guarda e nossa espada, perdendo a nossa energia vital proporcionado pelo desespero, que é o grande emergencial dos reveses dos seres humanos, envenenando ainda mais a Terra, tal como uma pirâmide invertida, encerrando-nos em nossa negatividade. Dizendo a nós mesmos, Eu SOU, crivado de prepotência egocêntrica, esquecemos de perceber que             diante da trama universal, somos um simples grão de areia, no oceano cósmico.

 

            Rezar, rezar, na esperança de um milagre salvador, agindo como autômatos, articulando palavras pelos lábios, nada mais são que palavras vazias sem a intervenção do livre arbítrio. Através do sono nesses momentos aflitivos difíceis, nos libertamos, impregnando novamente e positivamente da sensação de atividade intensa. Eis que surge o momento do despertar, e a compreensão das rodas de fogo do ser humano, cujos três canais inferiores, identificados pela tríplice chama da Mãe Terra, onde o fogo serpentino sobe ao centro de nossas vértebras. A vitória do homem que mergulha nos labirintos   do seu cérebro, é do seu "eu interior", voltando a fonte de sua origem, onde seu nome está inscrito no Astral superior, juntamente com outros filhos pródigos, ao lado do Pai. Ninguém está só, a solidão é a armadilha de quem fecha os olhos; ao fecharmos os portais do nosso coração, só percebemos a nós, então o que fazemos é só olhar para si mesmos, tornando-nos incapazes de de captar a união e a unidade de tudo que nos rodeia. Nenhum ermitão está só, pois ele é capaz de captar a vida que flui pelo ar que respira, transformando numa forma de vida ainda mais intensa, projetando-a na esfera             universal.
           

            Existem duas forças primárias, a da Terra representada pela Grande Mãe, e a do Pai Cósmico, a primeira é capaz de despertar e impulsionar o homem, expulsando e lapidando todas as grosseiras da alma através de um autoconhecimento e do autojulgamento, empreendendo em nós mesmos um trabalho de libertação de nossas fraquezas, cuja iniciação assemelhasse a morte, que carrega em si o germe da ressurreição e do despertar. A força da Grande Mãe, representada pela Terra, jamais pode ser desprezada, pois ela nos alimenta, sendo esta força inseparável da Força celeste. Assimilar e dominar estas forças   ou energias telúricas, são a função do Iniciado. Não compreender estas forças, é permitir que as mesmas por ignorância transformem-se no Bem pelo Mal. É necessário que uma corrente de Amor desça para que a outra possa elevar-se. Esta troca ou intercâmbio incessante aflui para uma única chama, a Chama Sagrada do Eu Superior, sincretizado no bastão de Thot, onde o Iniciado abre o seu caminho por meio da ascensão através da escada em espiral.