A
NATUREZA DA ALMA
Por Frater Magister

No
dia seguinte apresentei-me a Abramelin, que sorrindo me disse: «quero-te sempre
assim...» e conduziu-me ao seu aposento privado onde copiei dois manuscritos.
Ele então me perguntou se na verdade e sem receios eu desejava aprender a Ciência
Divina e a Magia Negra. Respondi-lhe que, se empreendera tão longa e fatigante
viagem, o motivo fora o de
querer saber toda a verdade.
«E
eu», disse Abramelin, «forneço-te esta Ciência Sagrada, permitindo que a
pratiques respeitando as leis destes dois pequenos livros, sem omitir a menor
coisa, por mais inconcebíveis que elas possam parecer-te. Servir-te-ás desta
Sagrada Ciência para reencontrar os
antigos poderes, e voltar a ser um deus imortal, vencedor da vida e da morte.
«Então
as trevas não te vencerão porque tu serás o
vencedor, e hás de entrar na cadeia das trevas que habitam a
Eternidade. Não ofereças esta ciência senão àqueles cujo olhar pode
desafiar a obscuridade sem tremer aqueles cujo coração é tão forte
que suportam a força do infinito sem que sobre o fardo se dobrem.
Mas quero que saibas que esta verdadeira Ciência não durará em ti nem na tua
geração para além de setenta e dois anos e tão pouco se manterá
na nossa seita. Outras virão e, retomando o facho, hão de levá-lo
cada vez mais longe, através do mundo, em nome do Supremo Senhor detentor da
Pedra Sagrada (Lúcifer). Que nunca a curiosidade te arraste a saberes os porquês
de tudo isto, a não ser que o teu coração seja suficientemente forte
para receber a vida infinita nos seus vastíssimos limites. Imagina tu que a
nossa maldade fez da nossa seita uma seita insuportável, não só a todo
o ser humano como também aos deuses venerados pelos homens.»
Fiz
menção de me ajoelhar ao receber os
livros, mas, repreendendo-me, Abramelin avisou-me de que apenas perante o
Senhor deveria fazê-lo.
Detive
o pensamento para meu filho: «Estes dois livros estão escrupulosamente
escritos, e depois da minha
morte poderás lê-los, meu querido Lamech.»
Instruído
por Abramelin, paguei-lhe a quantia solicitada (dez mil florins de ouro)
despedi-me dele e parti pelo
caminho de Constantinopla depois de receber a sua bênção. Em Constantinopla
surgiu-me uma estranha doença que me esgotou. Foi como se num sonho a
alma saísse e fosse substituída por uma luz forte. Retomando as
minhas forças, espantado com a minha transformação, com a vitalidade de um
jovem e o saber de Abramelin, tomei um barco e parti para Veneza.
Cheguei
a esta cidade, onde amigos meus me receberam... E
foi nesta mesma cidade que invoquei os quatro espíritos superiores,
que me entregaram um espírito familiar, a chave e o número que permite
prodígios! (Pacto sob os auspícios de Adonai).
Seguidamente
na Hungria dei ao imperador Segismundo, príncipe muito clemente, um espírito
também familiar da segunda hierarquia satisfazendo assim um seu anterior
pedido.
Ele
queria dominar toda esta operação, mas foi prevenido de que essa não era a
vontade do Senhor, pelo que
teve de contentar-se que tudo acontecesse como se tratasse de uma pessoa
simples, e não de um imperador.
Esse
espírito facilitou o casamento
com uma mulher linda. (Ritual de Amor).
E
foi ainda o mesmo que ajudou
a encontrar bárbara de Cillei, ainda mais bonita que a primeira. Mas bárbara
de Cillei morreu e foi enterrada no castelo de Vazradin. Confidenciei ao
meu imperador que a morte não existe para aquele que possui a Ciência Sagrada
de Abramelin.
Pediu-me
então o imperador para que
lhe ressuscitasse a bela e maravilhosa jovem. Assim o fiz,
invocando de novo os quatro espíritos já invocados em Veneza, em circunstâncias
diferentes e segundo a Ciência Mágica de Abramelin. (Rito Goécico que,
no entanto, não se trata do retorno da alma da jovem e sim de seu cascão
astral.)
Informei
o imperador sobre o perfume
que deveria fazer parte da cerimônia do despertar do cadáver: uma porção de
incenso, uma meia parte de Stoelas do Levante, e uma quarta parte de
madeira do bosque de Aloés.
Estes
produtos, reduzidos ao pó, deveriam ferver numa caçoleta, perto do cadáver.
Expliquei em seguida ao imperador que seria necessário invocar os quatro espíritos
do décimo terceiro quadrado mágico: Oriens, Paymon, Ariton, Amaymon, porque só
eles poderiam conseguir o regresso
do morto à vida, tirando-o das trevas que acorrentam corpo e espírito.
(Ritual de Magia Negra)
A
sagrada magia que Deus deu a Moisés, Aarão, David, Salomão e a outros
profetas ensina a verdadeira sapiência divina, deixada por Abraão a seu filho
Lamech, traduzido do hebraico em Veneza no ano de 1458.
(Trecho
do manuscrito A Sagrada Magia de Abramelin o Mago traduzido para o português
pela EIE CAMINHOS DA TRADIÇÃO)
É
estranho esse material estar envolto numa auréola de religiosidade. Trata-se de
um puro Grimório, uma blasfêmia aos olhos dos religiosos, reclamando-se o
poder dos profetas com fins puramente materiais conforme se observa acima. Mas,
muitos querem confundir religiosidade com magia, coisas muito distintas.
Ironia?
Sei disso, porque falar seriamente em Pactvm, em nossa época, não é fácil
tarefa. A ciência oficial, que apenas quer conhecer o que o bisturi pode
sondar, nega a existência dos espíritos, e os fatos indiscutíveis ocorridos
em diferentes países, têm sido vituperados, negados ou silenciados, e bem
assim outros fenômenos não menos estranhos, os quais apesar disso, se impõem
pouco a pouco, á atenção dos cientistas ou sábios de nossa época, porque o
fato é um argumento brutal que não se pode eternamente suprimir. A tecnologia
a fica a disposição dos atuais Caçadores de Fantasmas, que averiguam o fato,
muitas vezes constatando algo estranho ou estarrecedor, mas, não dispondo de
conhecimento para impedir um mero ataque astral de forças contrárias.
Dito isto, creio do meu dever explicar o melhor que possa, aos nossos
alunos e estudantes, o fenômeno espiritual pouco aprofundado ainda, se bem que
sendo um fato natural sempre existiu desde a antiguidade.
Que o corpo evolui, se transforma e progride, e assim também ocorre à
alma, é fato conhecido.
Nas
diversas condições dos três reinos a alma desenvolve-se e progride. O corpo
astral, seu inseparável companheiro, adapta-se ás diversas condições,
conservando-se fielmente em si, até ás mais finas nuanças, a marca de todas
as transformações sofridas. Na composição química do corpo astral são
encontradas todas as substâncias, o reflexo de todos os instintos, qualidades e
pendores do ser durante as inúmeras existências e transformações através do
mineral, do vegetal, e do animal e enfim do homem, o ser mais perfeito conhecido
sobre a Terra.
O
átomo indestrutível lançado pela força criadora no turbilhão do Espaço,
sendo representando apenas um princípio vital, reveste-se imediatamente de um
DUPLO etéreo, intermediário entre a centelha divina e a parte material - o
corpo. Esse intermediário é o agente principal que põe em vibração as funções
da alma, isto é, a vida da alma produz-se pela vida material sobre esse tecido
(invisível para nós) constituído por milhares de fios luminosos de indescritível
tenuidade.
De igual modo que nas células da cera se condensa o sangue,
assim sobre o corpo astral condensa-se os elementos e suas substâncias
compostas. "Alma é vestida de ar”, esse ar é o cascão astral o qual,
desde que o Espírito dele se desprende se torna presa fácil da podridão e se
decompõe em seus elementos primitivos.
Uma
regra sem exceção, estipula que depois da alma vem o corpo astral, depois do
corpo astral o corpo, isto é, as substâncias que podem, de acordo com imutável
lei, aglomerar-se sobre o tecido fluídico.
Assim, o corpo astral de um ser inferior só pode atrair na sua condensação
material substâncias viscosas, é somente pelo trabalho da vida que o ser
adquire e se apropria de novas forças de prana, as quais, em próxima condensação,
tornarão o corpo astral do ser de outrora apto a formar um corpo mais perfeito.
Tão
potente é a ação do Prana em toda parte para onde se voltam os olhares. Em
toda parte, efetivamente, onde o cérebro se esquadrinha, se encontra o prana,
que faz fervilhar a vida: está desde as entranhas da Terra que faz germinar a
semente ou encoberto nas nuvens. O prana funde toda matéria, amálgama, solda
de maneira indestrutível; o prana une a alma à matéria e dela a separa; esse
elo é o traço luminoso visível aos clarividentes.
Tudo que é preguiçoso carece de mais prana e pertence a um grau
inferior de desenvolvimento; todo ser e mesmo todo planeta, mais trabalhado pelo
prana, distingue-se por um grau superior de atividade e desenvolvimento
intelectual. Enfim, a perfeição não se resume, em si, apenas na concepção
de que o Espírito, desembaraçado de toda substância material, torna o ser
fagulha pura e regressa ao foco de onde saiu cego, para a ele tornar,
inteligente, e servir ao Criador, que se separa de nós, porém jamais rompe o
elo que nos liga á Ele, e que, através da sabedoria, deve conduzir-nos cedo ou
tarde, a esse centro divino.
Voltando
ao assunto que especialmente nos ocupa, lembrarei a existência de um ser
chamado Demônio, que tendo em vista a tenacidade dos instintos que se conservam
no homem, se ele tivesse a compreensão dos seres que nos rodeiam, estes
ajudariam o homem a dominar a si mesmo, assim como, as diferentes causas que
envolvem nossa vida, tais como terror, comoção moral, certos venenos ocultos
nas palavras, olhos e inveja desenfreada, que asfixiam o ser a ponto de trazer a
pessoa a um estado particular de letargia passiva, tornando difícil um
despertar em condições normais, estes não se produziriam sem o auxílio
dessas entidades especiais tidas como demônios, anjos, espíritos familiares,
etc.
Não
se pode criticar se usamos o clarão da Lua para despertar, mesmo que
aparentemente obscura, não representa nenhuma sinistra atividade, afinal
estamos aqui para interagir com todas as formas de seres que nos apresentem,
desde o mais ínfimo vírus, até o maior que possam existir, todos sem exceção,
independente do plano de vibração que nos encontremos deveriam se integrar e
interagir conosco para que sob sua potente
influência telúrica, através de um excepcional estado, possamos progredir
como seres humanos atingindo o sucesso que deveria ser nosso por direito. Por
essa razão propagamos a idéia e o Rito do Pactvm Pactorvm como uma forma de
ensinar o ser humano a progredir com o uso dessas forças e seres.
Se
nossos sentidos estiverem embotados ou letárgicos, passaremos a ter uma
acuidade extraordinária: ouvir, ver, sentir, farejar. A necessidade da integração
com o Pactvm se dá porque o corpo, ainda preso ao corpo astral, age numa certa
medida de tempo e em intervalos mais ou menos longos, tendo a necessidade de se
reabastecer, e assim por força dessas energias telúricas que evocamos e atamos
a esse mesmo corpo astral.
Não
se trata aqui de nenhuma venda de alma, como diriam os ignorantes, pois o Pactvm
sobrecarregará esse corpo astral de fluído vital, garantindo a nutrição
indispensável ás condições de existência humana
satisfazendo o ser atado a essa energia as necessidades de crescimento
interior e exterior.
O elo indissolúvel liga os três reinos e o homem, também é uma lei
que rege esse fenômeno: o que é possível para a flor, o fruto ou o metal, é
possível igualmente para o homem, e, nas condições desejadas, podendo ele
prover-se do necessário para triunfar na vida.
Deixando o estado de letargia dos sentidos anteriores ao rito Pactvm
Pactorvm, agora com infalível precisão, e graças aos aguçados sentidos,
identificará o ser humano a fonte de sua riqueza e poder.
O processo não é selvagem, e nem ato inspirado
por paixões desenfreadas, pois quem atinge a meta de sua vida, triunfa não só
na matéria como no espírito, já que viemos aqui a testes constantes.
Uma
vez terminado e vencido nos planos dos discos pelo período combinado, rompem-se
os laços que o prendiam ao espírito, sendo eles destruídos, assim o acordo
cessa, e a alma, e assim o corpo, retomam as condições ordinárias sem perder,
no entanto, suas qualidades intelectuais adquiridas ou desenvolvimento impresso
dos sentidos que já foram beneficamente afetados por essa força.
Em todas as direções, o homem esbarra com mistérios, em meios dos
quais peregrina cego; toda a nossa existência é uma luta durante a qual
buscamos nas trevas, o porquê do passado, do presente e do porvir, e,
entretanto, repelimos
obstinadamente, a chave do enigma
que se nos oferece sob a forma de diversos fenômenos inexplicados.
Somente quando a muito orgulhosa Ciência de afastar do seu obstinado “non possumus”, quando abordar francamente o estudo das misteriosas forças da alma, das quais as ciências ocultas são mínima parte, quando se desvendarem pouco a pouco, as ocultas leis que regem o Universo, tudo se tornará claro, não haverá mais milagres, nem feitiçarias, e sim LEIS NATURAIS E FATOS DELAS DECORRENTES.