DAS TREVAS DA MENTE PARA A LUZ (2)

por Francisco Marengo (Frater Magister)

 


Frater I. meu mestre, continuava sua explanação:

- "É sabido por você que a Força Criadora se manifesta em todos os lugares, mas entenda que se o aroma perfumado das flores, bem como seu formato e cores inserem algo que julga como fontes de emanação pura em seu formato, o terrível odor da carne putrefata, os vermes e os urubus também tem o seu papel nesta fonte de emanação perfeita, por mais que não sejam agradáveis a seus olhos e nariz. Veja!" Num gesto rápido Frater I. apanhou uma pequena mosca que pousava em seu braço, e disse segurando a mosca em sua mão: - "Neste momento a minha Vontade tornou-se mais rápida e eficiente do que a da mosca." Disse soltando a mosca no chão, que em poucos segundos, se ergueu, agitou suas asinhas e alçou vôo. - "Este", continuou - "é um pequeno microcosmo do homem, porém, já dotado de intensa força da Alma Universal, que erguendo-se demonstra nada mais, nada menos do que sua imperiosa vontade rumo a sua evolução. A isto eu chamo de princípio de vida. E esta vida nada mais é que do que a força de sua Vontade, que por sua vez nada mais é do que uma Chispa Divina, pois assim como no pequeno inseto, quando a alma alça vôo não se impondo limites tudo se submete a sua Vontade, erguem-se os véus dos mistérios, submetendo os princípios Universais e passando a governá-los. Conhecimento se resume a nada, se não aprender a desenvolver a sua Verdadeira Vontade. Pegue uma vela e coloque-a a um metro de distancia, certifique-se de que o pavio esteja levantado".

Assim o fiz. Em seguida Frater I. começou a entoar uma espécie de mantra, estendendo sua mão direita em direção a vela. Escutei um ruído similar a um sibilo de cobra, e vi como se uma faísca se desprendesse de seus dedos acendendo misteriosamente o pavio da vela, em seguida a chama da vela se ergueu perto de trinta centímetros se apagando.

Não me assombrava nenhuma daquelas demonstrações de efeitos físicos. Já tinha visto várias e tido diversas outras experiências metafísicas.

Frater I. continuou:

- "A mente humana não aceita tais experiências, o que não chega a ser uma pena. A diferença consiste no fato de nós estarmos escapando dessas sensações. Existem inúmeras formas de enxergar a Verdade. Nossas vidas e a de todas as pessoas são como uma Trilha ou uma Senda que fatalmente todos nós percorreremos. Pelos véus invisíveis da natureza se espreita uma força ou uma energia astral que pode ser empregada, o homem já dominou algumas, como no caso da eletricidade ou 'Fohat'. Mas o que lhe falta é conscientização de sua Vontade, imagine-se que o ser humano desprovido de Vontade é como uma embarcação num mar de águas agitadas, pois sua mente não sendo disciplinada faz com que as ondas e a correnteza levem sua embarcação para muito longe do destino traçado, pois sua mente indisciplinada é incapaz de conquistar suas realizações e privar-se de suas ilusões. Sendo assim por não vivenciarem nenhum experimento, podem supor falar a verdade, mas que se constituirá apenas uma parcela desta, o que não se tornará compreensível para que outras pessoas possam entender perfeitamente o que dizem.

São geralmente essas pessoas que se cegam e acabam usando das forças sobrenaturais às vezes até no intuito de ajudar, ou prejudicar, outras se martirizando para mostrar que amam, e outras que nada fazem, pois, preferem permanecer na inércia deixando tudo como está. Aquele que 'quer saber' para poder 'saber querer' compreende que a mente disciplinada de forma consciente é capaz de espalhar a sua Verdadeira Vontade no éter cósmico, do qual respiramos, mas que ninguém enxerga. 'Saber Querer' é saber criar em seu campo astral, em sua órbita, uma consonância ou equilíbrio com as Forças da Natureza e seus seres. Todo o princípio e fim de todos os conhecimentos se resumem no emprego salutar da força mental. Ao almejarem este fim tal energia elevará fatalmente a humanidade no seu processo evolutivo. É desejável que todo conhecimento elevado sirva como fonte de inspiração a humanidade. Então se aponto meu dedo para o céu em direção a uma estrela, apenas gostaria que se desse conta que seu brilho por vezes pode ser somente uma mera ilusão de uma estrela que já se foi, e que esta ilusão faça com que o homem se de conta de sua impotência diante da eternidade, mas que isso não sirva de obstáculo em sua ousadia para perscrutar as infinitas esferas da Sabedoria Oculta."