Exorcismo – Um caso recente

Por Sóror Fortunae

 

              No final de 2009, apesar de estarmos com a agenda repleta de compromissos tivemos que deixar nossos afazeres em prol de uma causa maior. Um caso real de possessão demoníaca. O fato aconteceu no interior de Minas Gerais, manteremos os dados pessoais em sigilo por motivos óbvios.

           Tudo começou há mais ou menos dez anos atrás quando a família se mudou para uma casa herdada da família e a garotinha então com dois anos de idade começou a brincar com uma “amiguinha invisível” que a família acreditava ser fruto da imaginação infantil sem dar muita importância ao caso. Só que com o tempo a menina começou a ficar rebelde, ter um comportamento hostil, falar coisas absurdas e palavrões que os familiares não sabiam onde aprendia pois não costumavam usar tal vocabulário dentro de casa.

           Com o tempo a mãe foi desconfiando que algo errado estava acontecendo, pois ela mesma não se sentia à vontade dentro de casa, sentia-se como se alguém a vigiasse o tempo todo. Quando questionava a menina sobre onde estava aprendendo tais coisas ela sempre olhava em alguma direção como se estivesse esperando a aprovação de alguém para responder as perguntas. A menina brincava o dia todo com esta amiguinha invisível que se chamava Maria. Quando a mãe foi falar com o pai e avó da criança que desconfiava da presença de um espírito na casa quea  influenciava,  chamaram-na de louca, e disseram que não era nada, só uma fase. Mas a menina foi crescendo e a fase não passava, só piorava. Cada dia mais agressiva, mordia as pessoas e causava ferimentos em si mesma.  Aos dez anos de idade foi que a situação piorou de vez, cortou-se toda com um estilete, inclusive o pulso esquerdo, levaram-na as pressas para o hospital e por pouco salvaram sua vida. Desde então a menina nunca mais foi a mesma. Passou a comportar-se como um animal rosnando o tempo todo com os dentes para fora como um lobo faminto. Raramente ficava calma. Levaram-na então à um psiquiatra e depois de todos os exames realizados, nenhum problema ou disturbio foi constatado. A família então chamou um padre pra benzer a menina. Quando o padre jogou água benta sobre a menina esta o agrediu violentamente arranhando-lhe a face a ponto de arrancar-lhe sangue. Não adiantou. Cada dia a situação piorava e a menina quase não comia, era mantida isolada em um quarto vazio, pois do contrário destruía tudo. Falava com diversas vozes diferentes e não tomava banho a menos que tivessem várias pessoas para segurá-la. Os pais desesperados então recorreram à um pai de santo local. O pai de santo foi ao local com alguns médiuns bem desenvolvidos de seu terreiro. Constatarm a presença de várias entidades, mas não houve acordo. O pai de santo que é uma pessoa séria e responsável percebeu que tais entidades não eram exus, nem espíritos de pessoas desencarnadas e sim algo bem mais forte. A entidade que obsedava a menina agrediu-o com tamanha força que ele não pode reagir, ele ficou impressionado. Em trinta anos de trabalhos espirituais nunca havia presenciado algo tão demoníaco.

           Este pai de santo, por acaso é aluno de nossa escola. Passou nosso site e telefone aos pais da garota. Disse-lhes para entrar em contato conosco que talvez pudéssemos ajudá-los. E assim foi, a mãe da menina hoje com doze anos nos ligou e viajamos em socorro da garotinha.

           O trabalho não foi nada fácil, realmente haviam várias entidades no local. O ambiente era péssimo. Eu, como sou muito sensitiva, ao adentrar no lugar já comecei a sentir uma tristeza profunda, vontade de chorar, desespero. É como se dentro da casa o ar fosse denso, pesado, gelado... Diversos vultos e algumas aparições bem nítidas pude presenciar. Uma delas era uma mulher bem feia, com roupas antigas, longos cabelos negros e os olhos eram negros também, só que não tinham íris, era tudo negro, muito feio! Esta mulher me disse para irmos embora pois se nãoir íamos nos arrepender. No mesmo instante que disse isso,caiu de cima da estante da sala um vaso de cerâmica e espatifou no chão.

           Na casa podia-se ouvir ruídos estranhos e passos o tempo todo, todas as pessoas ouviam e às vezes também cheiros fortes, ora de enxofre, ora de carne em decomposição.

           Quando nós vamos a um local pra fazer algum exorcismo, exigimos que haja a presença de um médico e de familiares para testemunhar o trabalho. Como o médico ainda não havia chegado, antes de ver a menina resolvemos fazer um banimento na  casa, para expulsar o maior numero de entidades possível. Assim, facilitaria o nosso trabalho e também evitaria que a menina fosse muito judiada. A menina ficava trancada em um quarto no andar de cima da casa. Ao iniciarmos o banimento, ela sem saber de nossa presença na casa começou a gritar desesperadamente.  Mesmo assim continuamos a limpar o ambiente. Assim que o médico chegou subimos para tentar ajudá-la.

           Ao nos ver ela veio em nossa direção para nos agredir violentamente. Ora ela  gritava que ia nos matar, ora dizia com uma voz estranha que se não fossemos embora mataria a menina. Esta mesma voz dizia coisas horripilantes se dirigindo à mãe. A feição dela se contorcia completamente, os dentes ficavam parecidos aos de um lobo faminto, os olhos pareciam que lhe iam saltar da face, uma pálidez total, os lábios arrouxeavam. Unhava-se até arrancar sangue, batia com a cabeça nas paredes e solo, tentava subir pelas paredes. Tivemos que amarrá-la na cama para que não se machucasse demais.

           Iniciamos o exorcismo. Foi horrível, sentia uma pena profunda daquela criança. Não há sombra de  dúvidas que estava realmente sofrendo de posseção demoníaca. Foram seis horas consecutivas fazendo exorcismo da forma tradicional até a menina se acalmar. Vimos e sentimos quando algumas entidades deixaram o quarto.  Muitos efeitos paranormais foram sentidos na casa pelos membros da família. Uma bandeja com taças que estava sobre o balcão da cozinha caiu no chão sem ninguém estar sequer perto, portas bateram, passos na escada, quando saímos de lá estavam apavorados. Infelizmente algumas horas após o exorcismo os sintomas voltaram. Então chamamos o médico novamente e fomos para a segunda fase, fizemos um ritual para prender o espírito em um cristal, conseguimos, prendemos um! Foi impressionante que quando a entidade entrou na pedra a mesma trincou todinha por dentro e o que era um cristal translúcido ficou com aparência de um quartzo fumê. Mas, outras entidades continuavam perturbando aquela criança e confesso despois de fazer exorcismos em hebraico, latim, grego e português cheguei a pensar que não íamos conseguir vencer aqueles seres. Quaisquer coisas que falávamos, as entidades riam de nós com escárnio. Então para não machucar mais a menina paramos. Resolvemos pensar em uma nova estratégia.

           Frater Magister e eu decidimos que devíamos usar as forças telúricas para resolver o caso. Já havíamos tentado de tudo e continuar neste caminho só iriamos ferir mais aquela criança e exaurir nossas forças até desistir como fez o padre e o pai de santo.

           Então, às duas da madrugada iniciamos, no local onde estava a garota, um ritual negro. Evocamos diversos Daemons que trabalham conosco fortalecendo a nossa egrégora, alguns até bem conhecidos. Pedimos à eles que retirassem todas as forças que prejudicavam aquela garota, que retirassem todas as entidades que agora ela deveria estar sob a proteção da nossa Egrégora e não mais deveria ser perturbada por nenhum espírito trevoso ou vingativo. Em poucos minutos a garota que antes rosnava como um animal voltou ao normal se transformando numa  menina assustada chorando. Ficamos com ela por mais três dias acompanhando e nada aconteceu, nem com a menina e nem na casa, nenhum tipo de perturbação.

A mãe desta criança não acreditava que depois de tantos anos por fim teria paz. Ela nos ligou ontem agradecida, pois passou o melhor natal e ano novo dos últimos tempos. Nunca mais houve qualquer sinal de possessão em sua fiha que agora era uma menina normal. Este ano vai para a escola.

Esta foi uma vitória muito especial para nós. Achei importante compartilhar com todos, pois é comum ver casos em que o padre ou exorcista persiste nos rituais cristãos e acaba ferindo a pessoa e até matando. Como se pode ver no caso acima, nem sempre a magia telúrica é usada para fazer o mal, depende exclusivamente de quem a usa.

Os motivos pelos quais aconteceu a possessão:

Tratava-se de uma antiga maldição de família que vinha desde a época de seu bisavô (da mãe da menina) que depois de uma briga com seu tio-avô o deserdou. Só que este não soube que havia sido deserdado até o momento em que seu pai morreu. Somente quando  veio reclamar a sua parte na herança é que soube. Mas o seu irmão, no caso avô da mãe da garotinha não cedeu nenhuma parte da herança para ele dizendo que esta era a vontade do pai. O irmão deserdado por sua vez o amaldiçoou, dizendo que acabaria com ele e com toda a sua geração.  Este irmão ficou conhecido na época por trabalhar com magia negra. Algum tempo depois, o avô herdeiro encontrou o irmão no fundo de sua casa, próximo à poço d’agua na calada da noite e o expulsou de lá a tiros de espingarda. Este jurava que se vingaria e que ele se arrependeria. Depois deste dia seu avô entrou em crise financeira e perdeu a esposa e todos os bens antes de morrer, exceto a casa em que vivia. Nesta casa ficou morando o pai desta mulher que nos contatou, que também não progrediu na vida e além de perder a mulher ainda jovem, perdeu também dois filhos adolescentes, um com treze anos e outro com dezesseis anos num acidente. Restou apenas ela, a filha que com a morte do pai, foi morar na casa. A maldição então pegou sua filha que era mais vulnerável e sensível da família. Acreditamos que nesta casa havia um portal aberto por este tio-avô, provavelmente no poço que a família agora já mandou fechar.