Em que lado da força você está? Já se cansou de ouvir falar sobre “luz e trevas”. Esses conceitos acabam por se tornar obscuros, e muitas vezes confusos. Essa confusão é proposital, para milhões de pessoas que acham que estão fazendo o “certo” na verdade estão no mais profundo engano e outros que se decidem fazer o “errado” está no mesmo time acreditando que está do lado oposto. Isso torna tudo mais confuso ainda não é? Pois bem, eu vou dar uma chave desse enigma à vocês para que saiam desse labirinto de "porquês". Logo vocês verão tudo se esclarecer diante de vossos olhos. Existem realmente duas forças, mas vamos trocar a terminologia para que o que está escondido se mostre. Existe a força “ativa” que é à força o empuxo rumo a  evolução, movimento, ação; e existe a força “passiva”,  que é a força que “segura”, que “para”, que trunca a evolução.


    NÃO IMPORTA SE VOCÊS DIZEM QUE ESTÃO SERVINDO UM OU OUTRO, ISSO SERÁ MEDIDO POR SEUS ATOS NO DIA A DIA. A força passiva é a força “má” por assim dizer, a força que tenta brecar a evolução do mundo a qualquer custo. O interessante é que essa força mórbida usa as mais belas palavras e artifícios para convencer os milhões de seres não-pensantes. Quase todas as pessoas são aprisionadas por essa força quando se utilizam diariamente dela para sua vida. Vou dar alguns exemplos do que falo. Atos “negros” e involutivos como o “esperar para daqui a pouco”. As pessoas sempre estão esperando algo dar certo, o governo mudar, DEUS AJUDAR, a vida melhorar, ganhar na loteria, APARECER um emprego melhor, etc. Isto é o que chamamos de  passividade anímica. É triste, mas as pessoas só irão acordar e entender que SE ELAS NADA FIZEREM, NINGUÉM FARÁ POR ELAS, e quando a vida passar, tudo se acabou. A pobreza e a riqueza só dependem de nós, por incrível que pareça. Quando você começa a “movimentar energias” a vida começa a se utilizar de você para mover energias.



     Como? Oportunidades aparecem. Pensem em tudo como números, se você quer que sua vida se torne (X+Y), logo você deve movimentar (X+Y) de energia para CHEGAR ATÉ O FIM ALMEJADO. Não adianta querer pular etapas. Enquanto uns fazem, lutam os outros simplesmente rezam. Quem é que chegará a algum lugar? Enquanto uns rezam, outros maldizem, e outros fazem, quem chegará a algum lugar? Uma coisa terrível que irei dizer agora, mas se refletirem verão que é puramente lógico; O BEM E O MAL TRABALHAM DO MESMO LADO. Se quiser acabar com O MAL, acabe com a ignorância primeiro e mostre as pessoas com os seus atos, mostre a elas quem é SEU DEUS. Você faz sua própria sorte ou azar. Você se mantêm pobre ou enriquece. NINGUÉM FARÁ ISSO POR VOCÊ e se fizer, você pagará três vezes aquilo que com seu esforço pagaria uma única vez. 


    Bom, não vou me estender mais, pois isso faria com que eu tirasse o esforço de vocês e os tornaria passivos. Mas para finalizar, uma reflexão para vocês: Quem foi que truncou a evolução do nosso planeta por mais de dois mil anos? Quem é contra tudo que é evolução e tecnologia e atribui as melhores obras e invenções como “obra do diabo”? Quem é contra magia, ocultismo e a evolução plena do ser humano e também atribui tudo ao diabo? O símbolo da cruz não representa o que se vê por aí, simplesmente o salvador pendurado em uma cruz,  representa sim a escolha, a ação ou estagnação? O símbolo da pureza não é uma mulher virgem ou estéril, o símbolo da pureza para nós representa uma mulher ativa, inteligente, fértil, capaz de gerar a vida no ventre, que não a obra do divino, senão pela magia da criação.



        NÃO VELAI OS SEUS MAUS HÁBITOS COM BELAS PALAVRAS! Cuidado com essas palavras tão bonitas e tão usuais pelas pessoas como AMOR, PERDÃO, COMPAIXÃO, ETC. “Porque existe a pomba e a serpente”. “Existe “amor e amor”.” NÃO ESPERE, NÃO EXISTE AMANHÃ, A VIDA É UM ETERNO AGORA! Haverá sempre um propósito maior nessa nossa jornada, todo o conhecimento propagado e aplicado em vida resulta em sabedoria. A Vida é uma estrada, estamos sempre de partida para uma nova aventura. E qual será a nova aventura que o universo nos reserva? Descobrir-se em essência é descortinar os véus dos mistérios da vida e fazer cair os véus do ilusório. Quando maior Mago do Séc. XX foi posto a prova, ele teve que enfrentar suas dúvidas e incertezas que se manifestavam diante dele em forma de demônios.  Essas dúvidas não clareavam sua mente para o enigma que se apresentava à sua frente sobre qual caminho deveria seguir.


        E depois deveria, tal como, o Arcano do Louco decidir qual a gama de conhecimentos levaria em sua algibeira. O Senhor do Destino já havia iluminado sua mente, explicado sua missão e o perigo de sua aventura que se descortinava a sua frente. Os deuses em beneplácito ao seu Sumo Sacerdote, outrora Ank-f-na-Khonsu, atenuariam a dor de suas perdas. O mago então assumiu a sua missão, os deuses explicaram a ele o essencial sobre as forças que estariam se reunindo e o rumo que seria levado, quais as forças que estaria enfrentando para tentar restaurar o equilíbrio no planeta. Em suas evocações e oráculos, os espíritos lhe disseram coisas sobre o seu desígnio, um grande propósito. Foi-lhe explicado que quando essas grandes mudanças acontecem abre-se algo como um vórtice atemporal, esse vórtice nos levaria para um grande avanço tecnológico e espiritual, mas para que ocorresse este último, ainda deveriam ser enfrentados e vencidos; e o que deve ser feito para restaurar o equilíbrio do mundo. E a bem da verdade, o mundo evoluiu em tecnologia, mas agora deverá evoluir espiritualmente.  



 
        Imagine se puder, que está na ante-sala de um enorme templo, sentado perto da lareira, na fronteira dos Portais que nos levam para os reinos das Sephirot. Você é um mago e depois de realizar inúmeros Ritos Ancestrais, você está exausto. Você se levanta e joga mais lenha no fogo. Segurando em uma mão um cajado enorme, com um cristal brilhante na ponta, as chamas crepitando na lareira resplandecem o cristal do cajado em cores cintilantes. Agora num estado muito especial, estabelece o contato com seu Mestre Interior, e ele em tom solene diz: 
   
        “Existe um lugar fora do espaço-tempo não conhecido pela maioria dos mortais. O acesso a esse local se dá unicamente àqueles que descobriram suas verdadeiras vontades. E se assim o fizeram descobriram também a sua Missão Sagrada. Tudo que está escrito, pode ser reescrito, os opostos se atraem, o desequilíbrio nada mais é que uma perturbação eletromagnética daquilo que concebe como Luz e Trevas. Hórus, o Senhor do Æón deseja falar-lhe pois Choronzon, o morador do abismo, o demônio do ego e da discórdia começou a estender seu reino de putrefação e estagnação da alma ao mundo dos vivos. As Sagradas Escrituras de todos os tempos trazem relatos sobre acontecimentos semelhantes de tempos pregressos. Cada vez que o ciclo que se abre para mudanças e evolução, arrastam junto determinadas forças contrárias, com o fito de testar e certificar que a humanidade está pronta para o próximo passo. Toda luz traz as trevas aos espaços mais extremos. Se a humanidade quer a iluminação, precisará antes estar pronta para as trevas. Agora é chegado o tempo, o incerto é agora, o cérebro necessita mais do que nunca do coração para nos conduzir aos extremos. Foi para esta missão que você nasceu na Terra neste período. Você foi guiado a este lugar exato, nesta noite específica, para este propósito. Em tempos tormentosos como este, as forças de Vida e Morte convocam seus campeões eternos. Este é o seu destino — ser o nobre Mago do Ǽon e herói de sua época — um tempo sobre o qual se cantará louvores de glória em todas as eras futuras.  


 
        Sua missão é confrontar o diabo da incerteza no seu campo de batalha, na aridez do deserto. Lá você confrontará Choronzon e restaurará a Ordem ao Caos. Se falhar, o mundo será mergulhado em uma nova era de trevas. Se forem bem-sucedidos, o fluxo de vida consciente da Terra estará livre para dar o maior salto na evolução desde que o primeiro ser humano resolveu andar ereto. 
 
        Mas fique em estado de observância: Choronzon tem um poder imenso. Ele é o demônio Legião. Pazuzu, o demônio sumério, rei dos demônios do vento, filho do deus Hambi, Senhor das Febres e Pragas, Anjo Negro dos Quatro Ventos, que traz as tempestades e a estiagem,  sua influência é sentida em todas as partes do mundo. Vocês não podem esperar derrotá-lo pela força das armas, pois as armas mais mortais já concebidas pertencem a ele. E ele também controla as riquezas dos impérios, arrastando escravos às multidões.   

  

        É difícil tecer-se definições sobre Choronzon, pois a natureza dele é tal que tudo o que possamos falar sobre ele é, em essência, falso. Ele é o Demônio da Confusão e Dispersão que enfrentamos na travessia do Abismo, onde se encontra Daath e que separa as 7 Sephiroth inferiores das 3 Supernas no esquema da árvore da Vida. 

        Chama-lo de demônio não significa que ele seja um ser propriamente dito, Choronzon carece de significado ou existência em si mesmo. Choronzon não tem um corpo próprio, sequer uma individualidade. Ele é a ausência total de forma e, ao mesmo tempo, é toda possibilidade de forma, impulsionado pela mente que lhe propicia a manifestação a partir das coisas que se encontram reprimida em nossa sombra e que, em geral, desconhecemos.


        O Conhece-te a ti mesmo é essencial na vitória sobre Choronzon. Crowley nos diz que Choronzon cria as formas em voz alta: Zazas, Zazas, Nasatanada Zasas. Mas ele é muito mais um estado mental do que um ser constituído e individual. Ele provém da dispersão mental do iniciado, esta é a razão pela qual Choronzon não pode persistir, por muito tempo, em qualquer das formas que adota. Não existe continuidade ou estabilidade em Choronzon, assim como, não existem continuidade e estabilidade no estado de ausência de concentração mental ou confusão.

        Não há existência no Abismo, ou seja, existem formas, mas nenhuma forma é distinta (No-thing = nenhuma coisa: nenhuma coisa distinta da outra). Ele é habitante de ZAX do Sistema Enoquiano e diz-se que ele corresponde a Satan. Por Gematria, o número de Choronzon é 333: Ch = 8, O = 6, R = 200, O = 6, N = 50, Z = 7, O = 6, N = 50. Choronzon é o demônio que enfrentamos em todos os estados em que a confusão mental nos toma e onde percebemos que o raciocínio analítico não nos é de muita ajuda, pois o surgimento de uma idéia, ou ponto de vista, imediatamente faz surgir o seu oposto e não se chega a conclusão nenhuma, pois tudo carece de real significado. Choronzon é ilusão, Maya e todas as suas conseqüências levadas a extremo no interior do iniciado.

        Muitos consideram que o encontro com este demônio da dispersão só se dá em um lugar pré-determinado e dentro dos limites de um momento específico, buscado através do efeito de algum rito mágico realizado com esta intenção. Porém, sendo a mente uma manifestação natural de todo àquele que vive o encontro com Choronzon pode se dar a qualquer momento sob o influxo de qualquer fator que afete a nossa psique.

        Tanto o iniciado, quanto o não-iniciado, têm que, vez por outra, enfrentar e obter a vitória sobre Choronzon. A diferença é que o iniciado sabe o que busca e está ciente, em menor ou maior grau, dos obstáculos que podem se erguer no caminho da sua auto-realização, enquanto o não-iniciado, a mais das vezes, sofre o processo de modo inconsciente. A árvore é a árvore da Vida, portanto, todo aquele que vive, está sob a influência dos estados mentais ali delimitados, seja sob o nome Sephiroth, Abismo ou qualquer outro. A presença de Choronzon se faz sentir, de modo freqüente, nas chamadas Noites Negras da Alma e representa o último grito da "carne", do ego individual, que está prestes a perder o seu significado em favor da Consciência Divina.

        É uma espécie de "pane mental", um processo de passagem de um estado mental ou espiritual a outro. O intelecto humano em feroz luta contra a Consciência do Deus que em nós habita. Ele sempre surge quando o sofrimento assombra o iniciado. Por vezes o sofrimento se prolonga durante anos até que o iniciado consiga "abdicar" do seu ego e prosseguir em seu caminho ate Binah, "depositando" seu sangue na Taça de Babalon, e seus ossos na Cidade das Pirâmides. É dito que, na Cidade das Pirâmides, o nome do iniciado já não é mais, ou seja, o iniciado se liberta do jugo do ego, da personalidade individual.


        Ele se torna o mais completo vazio de onde surge a verdade divina, ele se torna um Mestre de Templo e pode, por opção, retornar ao mundo para ajudar a humanidade a se libertar do jugo de Maya. Isto não significa que o iniciado, literalmente, mate o ego ou que este já não exista mais, jamais devemos esquecer que o ego é essencial ao processo de individuação e de manifestação no mundo de Malkuth. A morte coroada pela entrada na Gloriosa Cidade em que Babalon é Senhora e Rainha, significa apenas que, uma vez liberto do poder do ego e de seus mecanismos, o iniciado está apto a avaliar o seu eu e personalidade humanos anteriores de forma impessoal.

        Ele se torna apto a perceber a ilusão provocada por um instrumento - ego - que funciona centrado basicamente na auto-afirmação e auto-defesa, gerando uma série de conflitos desnecessários. Tendo dominado dentro de si mesmo, até o ponto crítico - Choronzon -, os últimos resquícios do Desejo, da Hostilidade e da Ilusão - forças motrizes do universo manifesto -, o Mestre de Templo contemplou, refletidas como num espelho, as últimas fantasias projetadas de sua vontade física e primitiva - Choronzon. Superou a vontade de viver de acordo com os motivos comuns do desejo e da hostilidade, num ambiente ilusório de causas, fins e meios fenomênicos. Tendo o Mestre de Templo ultrapassado os delírios ou enganos - Choronzon - de seu próprio ego auto-afirmativo, auto-defensivo e voltado para si mesmo, ele conhece dentro e fora o mais pleno entendimento que lhe proporciona paz, tranqüilidade e equilíbrio. Ele observa a imagem do magnífico e mais perfeito vazio que transcende o pensamento. Pensamento, no qual, se encontram suas próprias experiências do ego em relação à forma, percepções, palavra, concepções e ao próprio conhecimento intelectual. Ele se eleva, retorna ao seu meio, e habita entre nós como um centro "desprovido de ego" de onde não emana mais o raciocínio intelectual e analítico, mas sim, o princípio do vazio de onde tudo provém, manifesto em toda a sua simplicidade através da palavra do Mestre de Templo. 

 

        Em razão disso, é que se diz que é difícil entender a palavra do Mestre de Templo, pois ela provém da simplicidade máxima, do vazio primordial de onde absolutamente tudo que conhecemos é emanado, ele manifesta o segredo germinal do Pai, incompreensível ao intelecto humano. Retornar ao meio em que habitou, após se elevar, é o verdadeiro "ato compassivo" do Mestre de Templo, pois, por meio dele é revelada a verdade do Pai, e uma profusão de dádivas espirituais fluem deste ser para a libertação de toda a raça humana. Aleister Crowley relata seu encontro com Choronzon em "A Visão e A Voz" ("The Vision and Voice"), obra referente a visão e a voz dos Anjos dos 30 Aethyrs Enoquianos, que concebeu em 1909 e.v., no norte do deserto africano, ao lado do poeta Victor Neuburg - Frater Omnia Vincam-, um probacionista da A.·.A.·. . 

        Nas experiências deles com o Aethyr, em 6 de dezembro de 1909 e.v., Choronzon adquiriu muitas formas físicas, inclusive a de uma cortesã parisiense que Neuburg - o Escriba - tinha amado, no intuito de seduzi-lo e fazê-lo sair do círculo de proteção, para "obter para si a forma distinta de Neuburg". Algumas vezes Choronzon falou com a voz do próprio Crowley - o Vidente. Quando o Vidente com o seu Anel Sagrado escreveu na areia do deserto o nome de BABALON, que é a vitória sobre Choronzon, este não mais se manifestou. Babalon - Binah - é dita ser a vitória sobre Choronzon, no sentido de dizer que o Adepto venceu, ao cruzar o Abismo, Daath, a Sephira do Conhecimento. Este conhecimento de Daath é o conhecimento desprovido do real Entendimento que é fornecido mais acima por Binah. Daath representa o conhecimento intelectual que o iniciado coletou em todas as suas experiências passadas, originadas do seu intercurso com a vida, o mundo, Malkuth. É a tendência que todo ser humano apresenta em interpretar todos os fenômenos sob a perspectiva do conhecimento adquirido em suas experiências pessoais. Como Daath se encontra no Abismo, trecho de passagem do humano para o divino, o conhecimento adquirido das experiências humanas do iniciado não o auxiliam a compreender o divino acima, do qual, ele já começa a sofrer influência. Quanto mais o iniciado se apega as suas próprias experiências passadas, tentando interpretar o novo, o divino, através delas, mais a mente do mesmo se torna confusa e mais ele se debate na angústia daquilo que seu intelecto não consegue compreender. 

        Este estado de confusão mental, angústia e total desespero diante do incognoscível é o que se conhece como experiência de Choronzon. E, a menos que o iniciado se dispa da sua antiga roupagem, tornando-se um bebê nu e puro, engendrado num ovo, vencendo seu medo do incógnito amanhã e do desconhecido porvir, ele jamais conseguirá alcançar o portal do Divino. Uma vez tendo vencido Choronzon, o iniciado supera a ilusão fenomênica provocada pelo intelecto, uma das ferramentas do Ego, e alcança Babalon, o Entendimento - Binah. Babalon é a virgem qual o adepto se une após ter vencido o demônio da confusão e dispersão. É a pérola sagrada que deve ser resgatada da boca do Dragão que habita o Abismo, Choronzon. Na Qabalah, Binah é a sephirah que logo segue a Daath, na escala ascendente.

        Chockmah, que se segue a Binah, é a Sabedoria. Da união do Entendimento com a Sabedoria, o Filho é gerado. Binah é o entendimento necessário para apreender a essência da Verdadeira Vontade, cuja semente reside em Chokmah. Binah e Chokmah são complementares, não existe oposição real ali.
Binah é Babalon, e Chokmah o Chaos, por isso é dito que Babalon é a noiva do Chaos. Assim, Binah nos proporciona o entendimento necessário para organizar o "caos" que hoje é, para nós, a visualização daquilo que é a nossa Verdadeira Vontade. Binah e Chokmah são dois eternos amantes, um não subsiste sem o outro, nem o universo sobreviveria se os dois não estivessem em eterno conluio amoroso! Na verdade, Binah e Chokmah, conjugados, são a vitória sobre Choronzon, mas Crowley citou somente Babalon como sendo esta vitória porque a chegada do adepto Cidade das Pirâmides realmente é o primeiro sinal de sucesso sobre o abismo, o adquirir do entendimento necessário para encetar a ainda longínqua jornada até o núcleo de Chaos. 

        Em razão desta eterna cumplicidade entre Binah e Chockmah, se diz sobre Babalon que ela é aquela dama que está sempre em conluio sexual com absolutamente tudo o que existe no universo manifesto - a Prostituta Sagrada -, pois é a partir da determinação inclusa em Chaos que todo o universo é gerado. É claro que a semente que se encontra em Chaos foi ali semeada pelo que está mais acima, Kether,  He-ru-Ha-Ha. O caos de Choronzon não tem nada a ver com o Chaos atribuído a Chokmah. Em Choronzon o caos significa confusão e ilusão, em Chokmah, o Chaos significa germinação, mais referente ao Chaos que antecede a Criação. A manifestação e influência de Choronzon estão no abismo e abaixo do abismo, não pertence Tríade Superna. 

        A Tríade Superna e aquilo que se encontra abaixo dela são universos com parâmetros e bases completamente diferentes. Sob a influência de Choronzon está o homem que não tem a mínima idéia do que vai fazer da sua vida e não sabe que caminho escolher, devido a isso, se debate na angustiosa impossibilidade da realização concreta, da criação, da alteração do meio de acordo com a Verdadeira Vontade que desconhece. Em Chokmah está o Mago, aquele que adquiriu o supremo conhecimento e entendimento de si mesmo. Aquele que domina todos os seus próprios planos de projeção na existência e sabe exatamente o que quer, o que fazer e como fazer para produzir os resultados que almeja. O Mago é um deus, Hórus manifestado na matéria, pronto para liderar as suas próprias hostes contra o antigo em favor do nascimento do novo, a Criança Coroada e Vingadora que irá, com seu próprio sangue - vida - fertilizar e renovar o mundo. Todos os seres humanos, no sentido da consciência humana comum e adormecida, em maior ou menor grau, vivem sob o reino desequilibrado de Choronzon, o rei da confusão e da dispersão. 

 

        E é isso o que, por agora, se pode dizer a respeito de Choronzon, da travessia e do estado espiritual posterior. Ainda assim, tudo isto está muito permeado por conhecimento intelectual. Somente se pode falar plenamente sobre Choronzon quando a experiência de seu enfrentamento e a posterior vitória sobre ele nos for oferecida em sua máxima amplitude. Até que o momento da suprema e definitiva batalha se manifeste, apenas fagulhas de entendimento nos são possíveis. Porém, é destas fagulhas de
entendimento que a vida nos oferece que a possibilidade de vitória se desenha e, aos poucos, vai se manifestando para cada um de nós. Devemos sempre lembrar que a vida é a verdadeira iniciação, da qual, todas as outras são como pálidos reflexos no espelho da existência que intensificam a nossa vontade de superar a incerteza humana em favor da certeza divina que habita em todos nós. 

        É sábio viver a vida intensamente, um dia após o outro, um pequeno passo após o outro; partir sempre da pequena parte para o todo e, tudo isto, sem ânsia de resultados, e tudo isto sempre em nome da Nossa Sagrada Senhora da Iniciação, Babalon, a Senhora da Vida e da Morte que nos abre o Portal da Verdadeira existência. Cruzando o Abismo Após obter-se o SAG, o adepto pode escolher então alcançar o próximo marco maior: o cruzamento do Abismo, o grande golfo ou vácuo entre o mundo fenomênico da manifestação e sua fonte numérica, aquela grande vastidão espiritual que deve ser cruzada pelo adepto para que ele alcance o controle. Esta doutrina é extremamente difícil de ser explicada; porém ela corresponde mais ou menos ao intervalo entre o Real, que é o ideal, e o Irreal, que é o existente. No Abismo todas as coisas existem, realmente, pelo menos in posse, porém não possuem nenhum significado possível; pois elas carecem do substrato da Realidade espiritual. Elas são aparências sem Lei. Elas são, pois Ilusões Insanas. Choronzon é o Habitante do Abismo; ele é lá a obstrução final. Se ele for enfrentado com a preparação própria, então ele estará lá para destruir o ego, o que permitirá ao adepto mover-se para além do Abismo. Se não estiver preparado, então o desafortunado viajante será completamente disperso em aniquilação. Tanto Choronzon quanto o Abismo são discutidos nas Confissões de Crowley (cap. 66): “O nome do Habitante do Abismo é Choronzon, porém ele não é realmente um indivíduo. 

        O Abismo é carente de ser; está preenchido com todas as formas possíveis, cada uma delas igualmente ocas, cada uma delas, portanto maligna no único e verdadeiro sentido da palavra – isto é, sem significado, porém maligno, já que tenta ao máximo tornar-se real. Estas formas rodopiam insensivelmente em turbilhões aleatórios, como redemoinhos (dust devils), e a cada oportunidade os agregados se justificam como indivíduos e gritam, “Eu sou eu!”, embora cientes a todo momento que seus elementos não possuem coesão verdadeira; de forma que o menor distúrbio dissipa a ilusão da mesma forma que um cavaleiro, encontrando um diabo do pó, o transforma em cascatas de areia no chão.” Contudo, logo do outro lado do Abismo espera Babalon.  Ela convoca o adepto a render-se completamente, de forma que ele ou ela possa passar.  Babalon, a Cidade das Pirâmides, e a Noite de Pã Choronzon é o habitante do interior do Abismo, e seu trabalho é prender o viajante em seu mundo sem sentido de ilusão. Contudo, Babalon está esperando do outro lado, acenando (na esfera de Binah na Árvore da Vida). Se o adepto se render a ela – o símbolo para este ato é o derramamento do sangue do adepto em seu graal [dela] – ele torna-se impregnado por ela (um estado chamado de “Bebê do Abismo”), e então renasce como mestre e um santo que habita na Cidade das Pirâmides. 

        A Cidade das Pirâmides é o lar para estes adeptos que cruzaram o grande Abismo, tendo derramado todo o seu sangue no Graal de Babalon.  Eles destruíram suas identidades egóicas terrenas, tornando-se nada mais que pilhas de pó (i.e., os aspectos remanescentes de seus Verdadeiros Eus sem o auto-sentido do “Eu”). Em seu interior, eles assumiram o nome ou título de Santos ou Nemo (latim para Homem Nenhum). No sistema da A.´.A.´., eles são chamados de Mestres do Templo. É um passo no decorrer do caminho de purificação espiritual, e um lugar de descanso espiritual para aqueles que desvincularam-se com sucesso do plano mundano. Sobre estes adeptos, está escrito em: “A Visão e a Voz” (Aethyr 14): Estes adeptos assemelham-se a Pirâmides – seus capuzes e robes são como Pirâmides [...] E a Visão Beatífica não mais existe, e a glória do Mais Alto não mais existe. Não há mais conhecimento. Não há mais prazer.  Não há mais poder. Não há mais beleza. Pois é este o Palácio do Entendimento: pois você é uno com as coisas Primevas.’ O Mestre do Templo, de acordo, não interfere com o esquema das coisas exceto o necessário para realizar a Obra para a qual foi enviado. Porquê ele lutaria contra o aprisionamento, o banimento, a morte? [...] O Mestre do Templo está tão distante do homem através do qual Ele manifesta-se que todas estas questões não são de importância alguma para ele. Pode ser de importância para Sua Obra que o homem sente-se sobre um trono, ou que seja enforcado. Fui instantaneamente apagado pela escuridão.  Meu Anjo sussurrou as palavras secretas pelas quais se desfruta dos Mistérios dos Mestres do Templo. 

 

        No momento presente meus olhos contemplam (o que parecia ser antes formas rochosas) os Mestres, velados em sua majestade imóvel, amortalhados pelo silêncio. Cada um deles era exatamente igual ao outro. Então o Anjo me fez compreender aonde minha aspiração me conduzia: todos os
poderes, todos os êxtases, terminavam nisto – eu compreendi. Ele então me contou que agora meu nome era Nemo, sentado junto com outras formas silenciosas na Cidade das Pirâmides sob a Noite de Pan, aquelas outras partes de mim que eu havia deixado para sempre abaixo do Abismo deveriam servir como veículo para as energias que haviam sido criadas pelo meu ato. Meu corpo e mente privados do ego aos quais eles até então obedeciam, agora estavam livres para manifestar-se de acordo com sua natureza no mundo, para devotar-se a ajudar a humanidade em sua evolução. Em meu caso eu havia sido jogado na Esfera de Júpiter. Minha parte mortal existia para auxiliar a humanidade através do trabalho jupteriano, que é o governar, ensinar, criar, exortar os homens a aspirarem a tornarem-se mais nobres, mais santos, mais dignos, mais reais, mais gentis e mais generosos. A Cidade existe sob a Noite de Pan, ou N.O.X. O brincalhão e (lecherous) Pan é o deus grego da natureza, da luxúria, e do poder masculino gerativo. A palavra grega Pan também se traduz como Tudo, e desta forma é ele “um símbolo do Universal, uma personificação da Natureza, tanto Pangenetor, “criador do todo”, quanto Panphage, “devorador do todo” (Sabazius, 1995). Portanto, Pan é tanto aquele que dá a vida quanto o que a toma, e sua Noite é o tempo da morte simbólica onde o adepto experimenta a unificação com o Todo através da destruição extática do ego-eu. 

        Num sentido mais geral, é o estado em que se transcendem todos os limites e experimenta-se a unidade com o universo. Magus e Ipsissimus Os dois marcos finais são alcançados apenas por uns poucos. O penúltimo é o tornar-se um Magus (simbolizado pela entrada em Chokmah na Árvore da Vida), cujo dever essencial é comunicar uma nova Verdade à humanidade. Sobre os Magi, Crowley escreve: “Existem muitos instrutores mágicos, porém na história registrada possuímos quase que menos de uma dúzia de Magi no sentido técnico da palavra. Eles podem ser reconhecidos pelo fato de que sua mensagem pode ser formulada como uma única palavra, e esta palavra deve ser algo que quebra todas as crenças e códigos existentes. Podemos tomar como exemplos a Palavra de Buda – Anatta (ausência de um atman ou alma) [...] Maomé, mais uma vez, com a única palavra Allah [...] Similarmente, Aiwass, pronunciando a palavra Thelema (com todas as suas implicações), destrói completamente a fórmula do Deus Moribundo.” O estado de ser de um Magus é descrito no Líber B vel Magi de Crowley. Em outros lugares, ele admite a possibilidade de alguém alcançar este posto sem pronunciar uma nova Palavra mágica(k). Tal Magus, diz ele, identificar-se-ia com a Palavra do Aeon corrente e trabalharia para estabelecê-lo. Em Magick sem Lágrimas, Crowley sugere (sem dizê-lo abertamente) que os Chefes Secretos da A.´.A.´.  alcançaram pelo menos o posto de Magus de alguma forma. O estado de Ipsissimus é o mais alto possível (simbolizado pela esfera de Kether na Árvore da Vida). Relativamente pouco está escrito em aberto sobre este grau de realização. “O Ipsissimus está completamente livre de quaisquer limites que sejam, existindo na natureza de todas as coisas sem descriminações de quantidade ou qualidade entre elas. Ele identificou o Ser e o Não-Ser e o Devir, a ação e a não-ação e a tendência para a ação, com todas as outras triplicidades do gênero, não distinguido entre elas em respeito a quaisquer condições, ou entre uma coisa qualquer e uma outra coisa qualquer conforme ela existe com ou sem condições.” “Ele jura aceitar este Grau na presença de uma testemunha, e expressa sua
natureza em palavras e atos, porém para subtrair a Si Mesmo de uma vez sob os véus da manifestação natural como homem, e para manter silêncio durante sua vida humano como fato de sua realização, até mesmo para outros membros da Ordem.” “O Ipsissimus é antes de tudo o Mestre de todos os modos da existência; isto é, seu ser está inteiramente livre de necessidade interna ou externa. Sua obra é destruir todas as tendências de construir ou de cancelar tais necessidades. Ele é o Mestre da Lei da Insubstancialidade (Anatta).” “O Ipsissimus não possui relação como tal com nenhum Ser. Ele não possui vontade que se alinhe em uma dada direção, e nenhuma Consciência de nenhum tipo que envolva a dualidade, pois Nele tudo é realizado, conforme está escrito ‘além da Palavra e do Tolo, sim, além da Palavra e do Tolo’.” 


        Pazuzu é o pai das mentiras, e pode fazer com que aqueles que consideramos amigos, mas que são fracos de espírito e desprovidos de caráter, se tornem inimigos e que seja traído por aqueles em quem confia. A serpente ataca a traição e às escondidas, tal como o covarde que, sendo maledicente cava um fosso para seu adversário, não tendo coragem de enfrentá-lo peito a peito, sai para fazer falácias. Quem não tem amor próprio, quando não pode realizar seu intento pela força, recorre à humilhação. A coragem e a astúcia será sempre a arma do homem superior, quando a hipocrisia e a covardia será o guia dos fracos.  Poderá haver sorrisos que ferirão mais que uma arma ameaçadora, e abraços mais letais que o do bicho preguiça que demonstra docilidade em sua face enquanto crava suas unhas nas costas. E, como a franqueza e a lealdade são qualidades raras no homem, a maioria finge ser franca e leal. Assim, o mentiroso toma o nome de Adonai em seu testemunho; o ladrão finge ser religioso enquanto pilha e mata.     

        Aprenda a dominar Choronzon dominando as suas próprias fraquezas, com mente e atitude superior, com rigor, amor, misericórdia, magia, severidade, nobreza e sabedoria. Pois a sua jornada será pura Magia. Você reunirá Companheiros corajosos, bravos e verdadeiros; e eles virão até você quando tudo parecer perdido. Você aprenderá lições dolorosas e valiosas, que o ensinará aquilo que precisa saber para cada etapa de sua jornada sagrada por essa vida e por outras que estará por vir, pois uma vez no caminho, mesmo que temporariamente não o busque, ele o buscará novamente.”  

 

 

 Escola Iniciática Esotérica “Caminhos da Tradição”

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