Energia, Hierarquia e Relacionamento 
por Francisco Marengo
 
Escrito no Templo da Ordem em
 
Anno IV:xiv
Sol in Gemini, Luna in Taurus
Dies Mercurii
21/06/2006 e.v.
 

"Thelema não é uma religião: é uma
                atitude, presente em alguns,
                adquirida em outros."

                      (Keneth Grant)

           
           
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        Consideremos o seguinte: "Seria prático saber quando sua energia está sendo desperdiçada?" Meditemos:
 
            Eu tenho uma única vontade direcionada num determinado sentido e objetivos para que essa vontade seja realizada. Eu sei que a Iniciação é uma Operação MágicKa onde uma energia é gerada; e que meu ato quando desprovido de vontade desperdiçará essa energia, a menos que seja uma operação mágicka SEXUAL direcionada a Deusa NUIT.
 
            Agora, quando meus estudantes comentam sobre seus relacionamentos pessoais, mesmo se esse relacionamento principalmente for com um outro membro da Ordem; eu tento demonstrar-lhes que para sua energia não ser despendida,  devemos ter certos cuidados, evitando que esse relacionamento não degenere em uma situação onde um passe a vampirizar o outro.
           
            Entretanto, eu não devo e não irei interferir em assuntos pessoais, a não ser que magickamente necessitem do auxílio do Conselho da Ordem ou de mim mesmo. Mas advirto que se verificar que por conta de um relacionamento demoníaco, um ou dois estudantes, não se encontrem em seus estudos, eu tenho duas opções distintas, ou eu o(s) advirto e o(s) suspendo ou simplesmente o(s) ignoro até que resolvam amadurecer para se aprofundar(em) em seus estudos. 
 
          Um simples aviso é geralmente suficiente para que o estudante se ajuste com seu relacionamento onde cada parte esteja "ciente" de suas opções. Se eu der uma sugestão a um deles que demonstre aspiração espiritual real; e o outro simplesmente obste a auxiliar ao outro; eu advertirei a esse que estará usando simplesmente o outro e tentarei demonstrar os métodos apropriados de uso da corrente Magick no seu relacionamento. E, assim fazendo o seu relacionamento irá ajustar-se naturalmente.
 
        Considerando o acima exposto; considerem meu primeiro parágrafo mais uma vez onde eu toco na questão da energia desperdiçada num relacionamento.
 
       Quando um casal aspirante à Ordem inicia seus trabalhos de forma inconveniente ou sequer inicia, ele se coloca sob uma tensão mágicka de coisas feitas pela metade ou mal feitas.
 
        Entendam que se a sua hierarquia mágicka espiritual não estiver construída corretamente a energia sofre um escape, pois o estudante ainda não tem autoridade espiritual para impedir que o fluxo da vida e das energias que o envolve, cause danos sérios a seu crescimento.
 
        O emprego de energia será benéfico para o  mais forte; já no miserável não construirá sequer um fluxo racional de energia . Em tal caso, o problema será resolvido em duas maneiras; primeiramente tendo um relacionamento equilibrado e saudável até que a força de Magick esteja suficientemente forte para que a tensão mágicka possa ser relaxada; e em segundo construindo uma hierarquia mágicka espiritual através de trabalho mental que explicarei a seguir.
 
      O primeiro passo consiste em compreender e aplicar corretamente os princípios criativos da Arte Mágicka, sendo que isto exige uma compreensão fundamental e prática de alguns princípios científicos da psicologia que explicarei e que se aplica em especial ao campo mágicko da Iniciação, onde o ignorante das leis psicológicas básicas da vida só poderá se conduzir a circunstâncias catastróficas. Segundo que sem  uma compreensão básica e autêntica dos princípios de Thelema, grande parte do trabalho mágicko não será realizado de forma genuína. 
 
       A base do trabalho para realização da G.O. é o equilíbrio, quando aplicado corretamente à ciência e à Arte, além de disciplinar  e equilibrar a mente. A aplicação e iluminação de determinados princípios fundamentais cabe a nós e são essenciais.

       Por exemplo, consideremos a natureza dos conceitos psicológicos Jungianos do Anima e Animus que simbolizam determinados fatores operativos dentro do psique de um indivíduo ou os constituem em sua própria natureza. O Animus é a alma de uma mulher e o Anima é  a alma de um homem. Diz-se também que no homem o Anima é consciente e na mulher o Animus é inconsciente, e que o Animus está em contato com o mundo externo e o Anima está no contato com o mundo interno. O Animus é a consciência interior masculina, e o Anima é o Subconsciente interior feminino.

       Na psicologia oculta, o objetivo preliminar da G.O. é unir o subconsciente e o consciente, ou seja, o Anima e o Animus. É fazer da consciência inconsciente e do Inconsciente consciente. É misturar-se os dois aspectos da psique humana, unificando os dois opostos psicológicos que constituem os elementos preliminares do Self, que é a integração total do ser. O Animus e Anima, devem ser finalmente refinados numa fusão em uma só consciência superior, afrouxando suas naturezas, identidades fragmentárias e temporais numa única identidade e natureza superior além da dualidade.  Contudo tal coisa é, naturalmente, mais fácil falar do que fazer.

    Realizar este importante trabalho de equilíbrio mental requer um desapego genuíno e sério, e, sobretudo, autodisciplina. Estes, naturalmente, dependem da força espiritual da Iniciação, ou do nascimento da autointrospecção e do PODER. Com estas duas armas da criatividade espiritual, o progresso genuíno poderá ser feito. Sem elas, não há simplesmente nenhuma esperança. A autointrospecção exige auto-análise e a aceitação do Eu Superior.  O PODER requer a determinação real para eliminar todos os elementos hostis a si próprio, e para tornar e sintetizar todas aquelas partes essenciais a este importante método de alcançar o equilíbrio mental. Se o magista for verdadeiramente sincero em seu trabalho, e estiver disposto a dar tudo de si, ele obterá seu primeiro avanço a um estágio real de contrapeso psicológico, criando uma fundação verdadeira  para construir a pirâmide da iniciação, não negligenciando nenhum fator de desequilíbrio no Self, mas equilibrando todas as partes deste mesmo Self, com o nascimento da realização divina do Verdadeiro Eu,  que se equilibrará perfeitamente em seu centro energético ou pilar mediano.