DISSOLVENDO O EGO

por Francisco Marengo (Frater Magister)

 

Quando o homem despedaça por completo o seu ego, ele permite que Deus habite por completo em seu interior. O homem está diariamente mais preocupado com o seu conforto do que conhecer a sua verdadeira natureza que fatalmente o levaria em direção ao seu Eu Superior.

O conhecimento que o homem deveria buscar é o perfeito entendimento de sua natureza. A conscientização nos tempos modernos se bem que ainda falha, já deixou bastante claro a todos os seres humanos que quando ele interfere no ecossistema de uma região, ele fatalmente perverte o equilíbrio da natureza colocando sua sobrevivência em perigo. Apesar disto, o homem não consegue conceber que quando ele desvirtua a sua própria natureza, as energias externas e salutares ao seu equilíbrio deixam de interagir com ele.

Em muitos casos falta ao homem a força de vontade na busca desse conhecimento. As falsas concepções da vida criam ilusões que mais são armadilhas do ego. Quantos ao invés de viverem intensamente o presente, não são escravos do passado, ou se auto-iludem com um futuro que nunca virá. Muitos se esforçam demasiadamente para conquista de bens materiais, não que isto seja errado, mas a mesma intensidade de esforço deveria ser empregado na sua busca do autoconhecimento.

O que se vê por aí é a tentativa de barganha com a divindade, as pessoas dizem me de isso, que te dou aquilo em troca, seja uma vela, uma promessa, etc. Isto é verdadeiramente falso, pois o astral jamais fornece favores. Tais atitudes são vistas pelo Iniciados como pactos demoníacos. Afinal quem  melhor do que os verdadeiros demônios, para saberem refletir nossas imperfeições.

A auto-entrega ao seu Eu Superior deve ser feita de forma livre e liberta de objetivos mesquinhos. É necessário que uma vez empregada a jornada espiritual sejamos absolutamente fortes. E ser forte significa tornar cada partícula de vida como um ato de profunda elevação espiritual, seja através do amor, do sexo, da sinceridade ou da verdade.

Conhecer a si mesmo é conceber-se livre e inocente tal e qual as crianças por serem ainda libertas dos dogmas. É preciso que se entenda que toda e qualquer verdadeira Iniciação se dá no mais profundo estado de êxtase, ou nos mais profundos estados alterados de consciência. Somente nestes estados é que poderemos construir os alicerces que ligam as pontes entre o físico e o extrafísico. Este desenvolvimento a níveis alterados de consciência se dá por intermédio dos chamados exercícios espirituais. Por outro, lado é necessário o entendimento que tais desenvolvimentos não necessitam ser praticados unicamente com a mortificação do corpo, mas isto só será possível se você conceber a Deus como fonte absoluta de alegria, paz e serenidade e não como um Deus que faz os seus filhos sofrerem e se privarem de seus prazeres e regozijos, pois aquele que sofre é tão somente aquele que se autopune por não conhecer sua verdadeira natureza.

Creio que o verdadeiro sistema filosófico é aquele que acompanha a evolução do homem e não aquele que limita, embota ou aprisiona o seu espírito. A Verdadeira Tradição Esotérica acompanha todos os seres humanos pois ajuda-os a adaptarem as novas condições espirituais, mentais e psicológicas dos novos tempos que chegaram. Faz com que o seu aprendizado passe a absorver os novos conhecimentos tal como um processo celular de osmose a tudo o que as novas condições de vida lhes apresente. É curioso o fato de alguns pretensos esotéricos quererem impor aos seus discípulos uma disciplina que coloca limites em tudo que é natural nos seres humanos, tal como o o ato sexual e o amor entre dois indivíduos.

Aos verdadeiros Iniciados a união entre dois seres é algo verdadeiramente divino, principalmente quando manifestado por um incomensurável amor.

O homem deveria sim ser casto em relação a todas as suas atitudes ou pensamentos contrários a evolução de todos os seres. O subconsciente humano é o mais poderoso meio para desvendar a si mesmo e todos os mistérios que nos cercam. Seja através dos pressentimentos, ou sonhos precisamos aprender a interagir consigo mesmos.

Quais são as suas fraquezas? Até que ponto poderíamos transmutá-las tornando-as benéficas para nós? Tais perguntas deveriam ser feitas constantemente a si mesmos. Conhecer-se é superar-se. O máximo que podemos conceber da Divindade está inserida em nós mesmos.

Khonx Om Pax!
Luz em extensão!

Fraternalmente;

Francisco Marengo
Frater Magister.'.'.'
E.I.E. Caminhos da Tradição
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