John: Frater, tenho visto essas correlações entre exus e demônios da goetia, poderia me dizer se essas correlações existem, nem que seja por exemplo um elo de ligação do exu com tal demônio? Não sei se consegui me expressar bem. Eu sei que um não é outro, por isso gostaria da sua explicação. Obrigado pela paciência e dedicação a nós!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

dos povos encantados das matas, dos tupis guaranis, dos povos do oriente, dos ciganos.

              Sua associação com o diabo era evidente, afinal a Umbanda simplificava o culto dos exus, como "a esquerda" da Umbanda, automaticamente associado a tudo que fosse negativo, nefasto ou diabólico por assim dizer. Os exus então foram no culto de Umbanda colocados como guardiões dos trabalhos mágicos e protetores do Terreiro. Entretanto, para aqueles que permaneceram mais intimamente ligados ao culto de Kimbanda, percebiam que na verdade a exceção do fato de que exu representa uma força mágica e telúrica, ele também está mais próximo do ser humano e mais intimamente ligado aos problemas mundanos, ajudando na busca de soluções, limpezas de fluídos deletérios, quebras de demanda e até mesmo trabalhos de cura espiritual. Sim, exus podem curar com muita propriedade e conhecimento. Claro que o sincretismo religioso católico que atingiu os cultos afrobrasileiros também associaram rapidamente o exu ao diabo e porque não as diversas hostes infernais descritas nos antigos manuscritos ou grimórios da idade média. Pois bem, você não pode estudar a vida dos santos católicos e se dizer um entendido dos Orixás dos cultos Yorubanos. Da mesma maneira que Lúcifer não é Exu Lúcifer e Astaroth não é o Exu Rei das 7 Encruzilhadas. Exus não convivem no mesmo plano vibracional que os demônios que nunca tiveram existência física. Logo não podem ser associados a eles. Da mesma maneira que os Bakisi(plural de Nkisi) ou Orixás vibram em outra escala vibracional e, portanto, ligados a um outra plano de existência. É como se por analogia considerássemos o planeta terra como uma cebola, com diversas camadas interpostas. As mais telúricas, mais próximas ao núcleo e as mais prânicas ou solares mais afastadas. Poderíamos até mesmo considerar que um ou outro exu seja versado na Goetia e na Magia Negra e que portanto, conheça a fórmula evocatória de determinado demônio. Mas, consideremos o seguinte, uma vez que os demônios, jamais tiveram existência física, e sua existência obedeça a um plano amoral, pois não estão ligados a nenhuma esfera física, os mesmos por não terem padrões de vícios do ego, podem agir de uma forma mais intensa, porém mais perigosa. Se você tem medos, incertezas, dúvidas, então você será rapidamente consumido pelo demônio que evocar, ao passo que se você tiver suficiente experiência e conhecimento das esferas e planos do oculto, bem como, das formas de energia que o circundam, plano astral, físico, telúrico, então você sendo um iniciado poderá dispor dessas energias como lhe aprouver com grande sucesso. Da mesma maneira que você pode evocar um anjo ou arcanjo protetor, você pode evocar um anjo exterminador. E se tiver o devido embasamento teórico e prático, poderá ter sucesso em seu trabalho mágico. Você não pode dizer que um exu ou um ser humano é mais ou menos evoluído que um demônio, pois estamos tratando de forças primárias, forças primordiais. Um Loa do Vodu não vibra na mesma esfera que um Orixá de Umbanda ou de Candomblé, nem é mais ou menos evoluído. Assim como Marte ou Ares não é mais nem menos evoluído que Ogum ou São Jorge. São coisas distintas, com formas distintas de trabalho. Se você quer realizar uma evocação da goetia então precisará conhecer o trabalho teúrgico ou de Alta Magia. Se você quer se trazer para si um Loa Trevoso da família dos Barões do Cemitério, então você deverá obedecer os fundamentos religiosos ou místicos da religião voduísta. Seria ridículo crer que vamos baixar São Sebastião no terreiro na gira de caboclos, como não vamos baixar Astaroth no corpo de algum médium que seguramente seria destruído por essa força. Os fundamentos do Candomblé são diferentes da Kimbanda e da Umbanda pois estes últimos tratam-se de um culto de eguns, e o candomblé de um culto a divindades ou Orixás.

Enfim, não se pode inventar a roda e nem se fazer as coisas porque achamos bonitinho. Não adianta traçarmos círculos mágickos no chão, tetragramatons num culto de exus. O resultado de algum, passa a ser nenhum.

Se eu viesse a criar uma nova religião, culto ou o que for, precisaria antes obedecer a determinados critérios de religiões mais primitivas de onde essa nova se originou. Assim foi o catolicismo com relação as religiões pagãs, de onde muito foi absorvido e adaptado.

Mas, só para finalizar esse assunto, gostaria de dizer que não é a religião ou culto em si que é bom ou ruim, melhor ou pior que outro, e sim que o próprio homem é que transforma suas crenças aos moldes do seu gosto no inferno ou no paraíso que desejar. O que é bom para uns, pode não ser bom para outros. As pessoas assim como os planos de existência e entidades, também variam suas faixas vibratórias, culturas, conceitos, etc.

Tudo isso é completamente relevante na escolha de um caminho.

 

Frater Magister: John, é meio tumultuado mesmo por falta de entendimento de esoterismo e ocultismo. Mas vamos explicar. Os exus foram magos, feiticeiros e sacerdotes do culto de kimbanda. Uns mais antigos que eram chamados Ngangas, Kimbandas ou feiticeiros dos povos Bantos, Nagôs, etc. Outros podem ter tido existência física mais recente,  quando a Kimbanda recebeu as influências