
Baphomet

Autor: Príncipe Asklépius D'Sparta
No processo movido contra a Ordem do Templo, foi muito comentada a existência de um certo ídolo ao qual eram atribuídos poderes sobre-humanos. Esse ídolo, com o qual os gnósticos representavam o Deus eterno ou o Grande todo, tinha uma cabeça barbuda.
Foi por isso que os leigos e inimigos de má-fé da
Ordem acusaram os Templários de adorarem a cabeça de um bode. É claro
que eles ignoravam que, desde os princípios mais remotos, a barba era
considerada um símbolo de majestade, de paternidade e de força
geratriz. Chamavam a este símbolo de “Bafometh”, palavra que em
ocultismo significa “Batismo de Sabedoria”. Este símbolo,
juntamente com o Galo, eram apresentados ao candidato durante a
cerimônia de iniciação.
Baphomet, para
mostrar-lhe o novo Batismo como princípio de uma vida nova; e o Galo,
ave que anuncia cantando o romper da aurora, para anunciar-lhe uma nova
luz.
Em vários Templos pertencentes à Ordem, foram encontrados outros signos e
emblemas inseridos em baixo-relevo, em figuras esculpidas e em desenhos
geométricos. Os Templos mais famosos da Ordem tinham as paredes e as
colunas decoradas
A
VERDADE SOBRE O BAPHOMET DOS TEMPLÁRIOS
Quando Clemente V tomou conhecimento das declarações contidas nas inquisições
aos prisioneiros Templários, sua atitude mudou drasticamente: de
defensor, tornou-se um dos acusadores; e até hoje não se sabe bem a
razão de tal atitude. Buscaremos esclarecer parte de suas razões:
A Santa Sé encontrava-se, por acordo entre Clemente V
e Felipe IV, encravada em território francês, mais precisamente em
Avignon e, por esta razão, encontrava-se na realidade prisioneira de
Felipe IV que disso se aproveitou para intimidar o Papa, inclusive
ameaçando-o de morte com o uso da força física. Nada podendo fazer
uma vez que se encontrava sob o jugo de Felipe, temendo pela própria
vida, Clemente buscou ceder a seus caprichos. Porém esta não foi a
única razão; a Santa Sé, mesmo prisioneira dentro do território
francês (período este que mais tarde seria conhecido como o “Segundo
Cativeiro da Babilônia”), ainda buscava protelar ou desconversar o
Rei pois sabia que os intuitos reais eram vergonhosos e que iriam
manchar não só a história da França, como também a de Roma,
deixando uma nódoa vergonhosa na história do catolicismo; e o Papa,
após ler os interrogatórios, muda drasticamente de atitude.
O que teria feito o Papa mudar tão de repente de atitude? Segundo consta,
Clemente ficou sabendo a verdadeira história de Bafometh que realmente
o tinha assustado a ponto de fazê-lo condenar os Templários. Mas qual
era essa verdadeira história nunca comentada pela Igreja Católica e
que até hoje permanece em segredo? Buscaremos erguer mais uma ponta do
véu de Isis e contá-la.
A IGREJA CATÓLICA utilizou-se dos mais absurdos argumentos para perseguir,
torturar, executar e espoliar as riquezas de milhares de inocentes e ao
mesmo tempo tentava desesperadamente calar aqueles que realmente haviam
encontrado a chave dos grandes mistérios, proscrevendo os DRUIDAS,
CÁTAROS,
MAÇONS e os TEMPLÁRIOS, sob o pretexto de serem adoradores do diabo.
Enquanto os CÁTAROS viram o fim de seu império em
1224, com a tomada da fortaleza de Montségur, nos Pireneus, os
CAVALEIROS TEMPLÁRIOS conseguiram, salvar os ensinamentos da Ordem
pelos esforços de Jacques de Molay que mesmo capturado do fundo de sua
prisão, criou quatro lojas: em Nápoles, para o Oriente; em Edimburgo,
para o Ocidente, a qual mais tarde foi transferida para Tomar, em
Portugal: em Estocolmo, para o Norte e em Paris, para o Sul, sob a
denominação de MAÇONARIA OCULTA.
Os pretextos utilizados pelo alto clero sob a
influência de FELIPE IV (também intitulado “Felipe, o BELO”) eram
que os CAVALEIROS DO TEMPLO praticavam a sodomia, escarravam sobre o
Cristo, renegavam a Deus, conversavam com um grande gato negro,
copulavam com diabos e, acima de tudo, reconheciam o símbolo panteístico dos grandes Mestres em Magia negra, prestando honras divinas
ao Ídolo monstruoso de Bafometh que, para a Igreja Católica, também
representava Maomé, a quem os Templários foram acusados de venerar.
Sig
Os Cavaleiros da Ordem do Tempo realmente saudavam uma figura híbrida
composta da união de diversos pentáculos, cujo nome popular de Baphomet ainda é capaz de levar ao desespero a grande maioria dos
profanos por ignorarem seu sentido cabalístico.
O nome Baphomet escrito na sua forma original, BAPHOMET, deve ser lido em
sentido inverso, como todo cabalista o faria na língua do fogo.
Obteremos, dessa forma:
TEMOHPAB — que oculta;
TEMOHP-AB — três abreviações chaves para a expressão:
Templi
Omnium, Hominium Pacis Abbas, que significa:
O Pai do Templo, Paz Universal dos Homens, ou seja, O CRISTO CÓSMICO.
Simbolismo
A figura do andrógino mágico servia a três propósitos:
1. Amedrontar e afastar os profanos do reduto sagrado do Templo;
2.Testar a coragem e o conhecimento de novos cavaleiros, evitando que os
covardes supersticiosos se infiltrassem na Ordem;
3.Velar o simbolismo sagrado aos olhos do leigo.
A figura do Bafomé, ou melhor, BAPHOMET, nada mais é
que uma esfinge, ou seja, uma combinação de animais com a figura
humana, diferindo do Bode de Mendes por apresentar um facho luminoso
entre seus chifres — formando a letra hebraica SHIN, símbolo
do equilíbrio divino entre as forças OD
(força ativa) e OB (força
passiva), por AUR (força
equilibrante).
Outra diferença entre o Baphomet dos Templários e o
Bode de Sabath negro é o pentagrama ou a estrela flamejante dos maçons
(e não o pentagrama invertido) entre seus olhos o que é, por si só,
um símbolo de magia branca. A cabeça reúne caracteres de cão, burro
e touro, e assemelha-se a um bode. Representa a mente do homem
materialista e embrutecida (hoje a ciência se diz descobridora da mente
triádica); geradora de todos os egos que devemos dissolver a fim de
conhecermos nosso Eu Divino.
A parte inferior está coberta, representando os mistérios da oração
universal, indicada somente pelo caduceu que está no lugar do órgão
gerador, simbolizando a vida eterna.
O ventre coberto de escamas representa a água; as
penas que sobem até o peito, representam o volátil; o círculo em que
está sentado, representa a atmosfera; os seios são de mulher trazendo
assim, da humanidade, os sinais de redentores da maternidade e do
trabalho. Ele se senta num cubo, símbolo da pedra filosofal e da cruz
de Hermes; suas pernas são as de um bode cujos fortes cascos podem
levá-lo a pontos de difícil acesso e a alturas descomunais. Suas asas
angelicais expressam a capacidade de elevação espiritual (Asiah, Yetsirah,
Briah, Aziluth). Seus chifres são um antigo símbolo de sabedoria e
divindade, análogos aos de Moisés e o facho luminoso traz a luz do
Salvador, Jesus Cristo.
Cabe lembrar que, na Judéia, dois bodes eram consagrados: um puro, outro
impuro, sendo o puro sacrificado enquanto o outro era mandado para o
deserto inóspito, para a expiação de seus pecados, a fim de
reconquistar a liberdade. Esta alegoria é análoga à do exílio da
Capela, à expulsão de Adão do Paraíso e à promessa de redenção
feita com a vinda do Cristo, razão pela qual os gnósticos também
devam ao Cristo libertador a figura do bode.
Conclusão
Esta figura tão “monstruosa e temida” até nossos
dias, não passa de um hieróglifo que não difere muito das esfinges do
Egito e da Pérsia, sendo também análoga à visão de Ezequiel. É,
pois a representação do Grande Arcano Mágico, um enigma decifrado
para o iniciado, cuja compreensão da Grande Obra de Deus é, sempre foi
e sempre será motivo de pânico e desconfiança aos olhos do mundo
profano.
Esta é a verdadeira simbologia a respeito da figura venerada pelos Templários
que tanto fez Clemente V tremer, e que ao saber dela, da veneração
Templária e de como os Templários a decifram, viu a necessidade de
condená-los e de extingui-los para que essa verdade não saísse da
Santa Sé.
No entanto, existem outras lendas que carregam alguma verdade e que também
fazem o Papa tremer; uma delas fala da própria origem de Bafometh e uma
outra explica as verdadeiras origens de Cristo, segunda a versão Templária.
A primeira conta que um certo jovem, filho de uma
nobre família da cidade de Cidon, na Fenícia, amava apaixonadamente
uma jovem que veio a falecer antes mesmo que o jovem a conquistasse.
Louco de amor e cheio de desejos, certa noite o jovem apaixonado
invadiu o túmulo de sua amada e, com a mente transtornada, abriu o
túmulo e saciou sua paixão sobre o cadáver da infeliz. Neste instante
o jovem fidalgo ouviu uma voz misteriosa que lhe dizia: “Volte aqui
decorridos nove meses e encontrarás o fruto do crime hediondo que
acabas de praticar.” Na data fixada o jovem voltou ao túmulo e
levantou a tampa. Com surpresa viu uma “cabeça barbada” que
recolheu e levou consigo. Esta cabeça era dotada de poderes estranhos,
entre os quais o de proferir oráculos sobre o passado, o presente e o
futuro.
Para o mundo profano, a lenda contada pelos
Templários nada mais é do que o relato repugnante de um necrófago,
mas para os iniciados familiarizados com interpretações simbólicas e
esotéricas dos mistérios iniciáticos, a lenda da “Cabeça
Misteriosa” encerra um tema muito profundo. Os iniciados sabem, por
exemplo, que a virgem violentada representa a deusa Isis, e reconhecem
na lenda a eterna alegoria dos “amantes de Isis”
Aquele que
ousa erguer o véu de Isis e interpretar com sabedoria e inteligência
seus segredos e mistérios, obterá o batismo da Sabedoria e será
superior em Glória, Poder e Força.
Esta alegoria é velha como o tempo e é a mãe de
todas as alegorias esotéricas, entre as quais figura a alegoria da
Arvore do conhecimento cujos frutos, uma vez colhidos, farão do
iniciado que os comer, um deus. Finalmente, os iniciados nos mistérios
de Isis reconhecem na lenda a fórmula esotérica muito usada pelos
alquimistas: “A primeira matéria recolhe-se no sexo de Isis”.
O castelo medieval de Gisors, última sede-fortaleza da Ordem do Templo, é
um livro simbólico cheio de sabedoria para aqueles que souberem ler e
interpretar. A respeito desse castelo, eminentes historiadores já
escreveram inúmeras obras e muitas outras poderiam ainda ser escritas
sem que o assunto se esgote.
Entre as inscrições misteriosas que se encontram no interior do castelo e
da igreja de Gisors, vêem-se estas:
— Ísís
Iaces in Vu/cain Sinu Fe/ice Emissa Es Ei/lis, ou seja:
“Ísis: estás oculta no VEXIM, enviada, felizmente,
por teus filhos”.
— Quo
Sidere Temp/um Ortum Esse Euam Rosa Spirare. Qua Docte Procedis in
Corpore Isidis, ou seja:
“Que a Constelação foi Engendrada pelo Templo e
que A Rosa é Preciso Aspirar. Se Fores Cauteloso Caminharás Sabiamente
Sobre o Corpo de Ísis.’’
Estas informações e conhecimentos, para um profano, são por demais espantosas, causando quase temor, mas interpretadas por iniciados, causam verdadeiras felicidades e trazem conhecimentos que o Papa não admitia serem propagados.
