POR FRANCISCO MARENGO E GISELLE GALVÃO

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei
O primeiro Aeon em que a mente humana tem referências foi o Aeon de Isis – A Deusa, a Mãe, a Doadora de vida e de alimentos. O sistema matriarcal dominava nesta época, onde as mulheres eram respeitadas, consideradas as representantes da Grande Deusa na Terra, pois como ela somente as mulheres podiam gerar um filho e dar a luz à ele. Muitos foram os nomes dados à Grande Deusa: Isis, Cerridwen, Gaia, Diana, entre outros. E também muitas faces da Grande Deusa foram representadas por outras Deusas descritas na mitologia. Afrodite ou Vênus é a face da Deusa do Amor, Deméter ou Ceres a face da Deusa da Colheita, Palas Atena ou Minerva é a face da Deusa da Guerra, Gaia ou Geia a face da Deusa da Fertilidade e assim sucessivamente com diversos outros nomes e virtudes. No Aeon da Grande Mãe, os seres humanos eram mais próximos da Natureza, podiam se comunicar com ela e compreender os sinais que ela lhes enviava. O homem compreendia a linguagem do mundo, da terra, dos ventos, das pedras e dos animais. Para ele tudo era Sagrado e por isso acreditava que por trás das diversas forças da Natureza haviam Deuses que as controlavam. A Deusa Lua e O Deus Sol reinavam soberanos um completando o outro... Nestes tempos a religião pagã era mais festiva e alegre e os homens e mulheres seguiam mais os seus corações e intuições.
A FORMULA DA GRANDE DEUSA
É bastante difícil determinar precisamente quando o aeon da fórmula de Ísis começou, pois suas fundações jazem na nebulosa pré-história. Entretanto, podemos, com bastante relatividade, aventurar localizar o evento como tendo sido aproximadamente 2.400 anos a. C. Foi a Era da Grande Deusa, e em nenhum lugar foi ela tão venerada do que na cidade Sumeriana de Uruk, onde o magnífico templo de Innana (Ishtar) dominava a grande primeira cidade da civilização. Focalizar exclusivamente a Suméria, pode ser um erro grave pois, sem dúvida, o culto da Grande Deusa era Universal. Ela era adorada por incontáveis culturas sob vários nomes e formas. Seria também um erro concluir que a fórmula mágica deste período manifestou-se exclusivamente através da adoração de qualquer particular deidade feminina antropomorfisada, pois, como todo aeon, a fórmula mágica do aeon de Ísis foi fundada sobre a interpretação humana dos fatos percebidos da natureza, e nossos progenitores da idade Isíaca percebiam a natureza como um contínuo processo de crescimento espontâneo. Nos obscuros inícios do Aeon, os seres humanos eram ignorantes da lei da causa e efeito do sexo e do nascimento. Isto é, eles não conseguiam ligar uma coisa à outra. A vida lhes parecia surgir somente da mulher. O sangue fluía inexplicavelmente de seu corpo no mesmo ciclo da lua. E quando este ciclo de fluxo sangüíneo era interrompido, seu ventre crescia por nove luas até que a nova vida nascia. Ela então continuava a nutrir esta vida com seu leite, o sangue branco de seus seios, e sem esta nutrição, dada diretamente de seu corpo, a nova vida perecia. Nada podia equiparar-se com o poder da mulher. Dela toda vida procedia e sem ela nenhuma vida aparecia. Como a lua, ela mesma, a mulher vivia três ciclos: o ciclo da jovem, da mãe, e da velha; fertilidade, sustento e sabedoria. Uma vez a criança desmamada, a própria terra tornava-se a mãe substituta, diretamente provento a carne o sangue de animais e plantas para seu sustento. Mãe era a vida. Terra era mãe. DEUS ERA MULHER. Morte era um mistério que não podia ser resolvido e nem compreendido ou suplantado. Esta fundamental percepção da natureza persistiu mesmo após o mistério da origem dos bebês ter sido resolvido. O matriarcado dominava este período, mas mesmo após a ascensão dos deuses guerreiros, a fórmula essencial da Deusa continuou. Mas o aeon de Ísis sobreviveu somente enquanto a humanidade foi dominada pela percepção que a vida e o necessário nutrimento vinha da Terra e da Mulher. Uma clara percepção do universo evolui e conseguiu usurpar a fórmula de Ísis e iniciou uma nova era cultural e religiosa. Nesta era o foco foi tirado da Terra para o Sol como fonte de toda Vida, e dos mistérios do nascimento para os mistérios da morte. Nós até agora sabíamos de onde vinham as crianças; agora nós queríamos saber onde íamos ao morrer.
Com o passar do tempo e a chegada do Aeon de Osíris – O Pai, o Deus feito homem e o homem sacrificado para fazer-se Deus, tudo mudou. O pecado e a culpa tomaram conta da mente humana. A Fórmula do Deus Morto: Pode ser dito que o Aeon de Osíris começou quando o homem e a mulher tornaram-se cientes do Sol, e reconheceram que a fertilidade da Terra (e consequentemente suas vidas) dependia diretamente do poder vitalizante da luz solar. O segredo da vida era agora percebido como uma associação do Sol e da Lua, e nossos ancestrais viram esta associação refletidas neles próprios: homem e mulher, phallus e kteis, pai e mãe. Quando tornou-se universalmente conhecido que sem o Sol, a Terra parecia e sem o sêmen de um homem, uma mulher permanecia infecunda, a consciência e atitude humana mudou radicalmente. A Fórmula de Ísis fora alterada; a mulher dava nascimento a vida, mas a Vida vinha do Sol. Deus agora era Pai. Esta nova iluminação; resultou num inédito avanço na civilização.
Armado com o conhecimento solar dos ciclos das estações, os agricultores
da era
Osiriana começaram o cultivo organizado de grãos. Cidades ergueram-se, e com
estas economias e exércitos das grandes nações-estado. O Patriarcado suplantou
o Matriarcado, e as deusas de incontáveis culturas tornaram-se esposas das
novas divindades masculinas. Mas, inerente a esta fórmula estava um terrível
mistério, um fator que não era uma Parte da fórmula do inocente Aeon de
Ísis; uma escura realidade que se tornaria uma desgastante preocupação
(ou como dizem, insana) do Aeon de Osíris: a Morte. Foi percebido como um
incontável fato que o Sol, a fonte de toda vida, nascia todo dia no
horizonte oriental e viajava através do céu, doando sua luz e vida sobre
a Terra. Também foi observado que este grande progenitor morria todo dia no
ocidente, mergulhando o mundo numa fria escuridão; uma escuridão que
evocava introspecção e medo. Para onde ia o Sol? Será que reapareceria
no dia seguinte? Cada noite após a morte do Sol, nossos antigos ancestrais
osirianos caíam em um agitado sono, e dormindo viviam uma outra vida, uma
estranha vida, povoada com outros homens e mulheres, e cheias de impossíveis maravilhas
e horrores. Animais mortos durante a caça, parentes mortos, inimigos, e
camaradas, tudo vivia outra vez neste outro mundo dos sonhos.
Seria para este lugar que o Sol ia toda noite? Era esta a Terra dos Mortos?
Claro que a tenebrosa noite não durava para sempre e um novo; Sol aparecia com
confortável regularidade cada manhã para conquistar a escuridão e
assegurar a continuidade da vida. Porém, mais tarde, observadores do Sol
mais sofisticados experimentaram uma maior insegurança quando observaram
que períodos da luz solar (tal como o verão move-se para o inverno)
resultavam no decréscimo ou cessação da fecundidade da Terra. Sem luz
solar, não havia grãos. E isso era sério. O ciclo solar diário mostrava que
o Sol era capaz de total desaparecimento do céu. Mas diferentemente do
pequeno período de escuridão do ciclo diário. Era impossível dizer o
quanto duraria uma grande noite se o Sol experimentasse uma morte anual.
Subitamente toda vida deveria findar na gelada escuridão de uma eterna
noite. Infundados como estes medos eram, estavam baseados solidamente sobre uma realidade
percebida, e o trauma tornou-se indelevelmente impresso sobre a psique da
raça humana. Esta realidade; por seu turno, formou a fundação da fórmula
mágica do Aeon de Osíris, a Fórmula do Deus Morto. Assim, O Sol, o Pai de
toda Vida, atravessava um período triplo de nascimento (vida, morte e
ressurreição). A humanidade, vendo-se também mortal, acreditava que
seguindo a fórmula mágica ou religiosa do Sol, ela também poderia ser
eleita para a ressurreição. Que fórmula era esta? Para toda parte que nossos
ancestrais osirianos olhavam, eles viam o drama do Deus Morto atuando. O
fazendeiro observava os efeitos fertilizantes que sangue e carne
deteriorava tinham sobre o solo; e que as sementes (que vinham de plantas
vivas no verão e no outono) morriam e eram enterradas durante todos os
meses de inverno, e então milagrosamente ressuscitavam
como novas plantas na primavera. Era uma óbvia e inevitável verdade: sem morte
não havia vida.
Não morre o Sol cada noite e cada inverno para poder renascer? A semente não se oferece à Terra para poder ressurgir como uma nova planta? Não é verdade que após a ejaculação o pênis sacrifica sua potência para fertilizar o óvulo e perpetuar a raça? Vida vinda da morte era um fato, e para assegurar que as bênçãos da vida pudesse vir da morte, nossos ancestrais osirianos acreditavam que deviam tomar uma ativa parte no grande ritual vida/morte. E para este fim iam para os topos das montanhas e lugares altos. Juntavam pedras e construíam altares e ali ofereciam sacrifícios aos deuses. Obviamente o grande mito cultural/religioso dos Egípcios era literalmente Osiriana em natureza, mas no alvorecer da Era Astrológica de Peixes (aproximadamente 260 a.C.), a fórmula do Deus morto cristalizou-se como o mito central de incontáveis culturas e civilizações. Os deuses dos grandes cultos de mistério (Orfeu, Hércules, Dionísio, Átis, Adonis, mais tarde Cristo), morriam e ressuscitavam. A história de Perséfone, a figura central dos Mistérios Eleusianos, que floresceram por dois mil anos, é um exemplo perfeito da evolução da Fórmula da Grande Deusa para aquela do Deus Morto. Estes cultos eram profundamente populares. Para assegurar a própria ressurreição era necessário ser um iniciado e seguir a fórmula divina de catástrofe , amor, morte e ressurreição. Parcialmente moldada após estas escolas de mistério, o Cristianismo ortodoxo ergueu-se tornando-se a influência espiritual e política no mundo pelos últimos dois mil anos. A fórmula de sacrifício nasceu da enganosa crença que o Sol ;nascia e morria; ao entardecer.
Uma mais acurada percepção do Universo está agora sendo visitada pela
humanidade. Nós sabemos que o Sol não se ergue e nem decai, morre.
Ele não viaja para o norte no verão e nem dirige-se para extinção, durante o inverno,
no sul. (Isto porque o hemisfério norte, para o sul é exatamente contrário).
O Sol permanece fulgindo por todo o tempo. A luz é contínua. A morte do
Sol é meramente uma ilusão de ótica, um jogo de luz e sombra. Os mitos do Sol
e do Deus Morto foram mitos criados, em parte, para ajudar nossos
ancestrais vencerem o medo da escuridão e o pavor da morte. A errônea
percepção do Universo que iniciou o Aeon de Osíris mudou para sempre. A
fórmula foi retificada. Não há necessidade de temer a escuridão da
noite. Não há necessidade de temer a morte.O masculino impôs o seu poder pela força e pela
virilidade. Espalhando terror e medo. O Deus passou a ser único e soberano e
aquele que não acreditasse nele queimaria eternamente no poço de enxofre e
fomos ainda mais longe, aqueles que ousassem render cultos aos Deuses pagãos
eram considerados hereges, bruxos queimados vivos em praça pública para
depois serem condenados ao fogo eterno. A Grande Deusa foi esquecida e aos
poucos o homem foi perdendo o contato com a natureza, deixando de lado a sua
essência primordial, esquecendo a sua origem.
No entanto, este Aeon teve também a sua função. Aprendemos com ele o
caminho do auto-sacrifício e dissolução do Ego. Mas apesar da força e da
imposição de suas idéias, o tempo passou também para o Aeon do Pai e este
perdeu por sua vez a sua realeza dando lugar ao Aeon do Filho. Hórus é o
governante deste Aeon em que vivemos. Este Aeon nada mais é que o equilíbrio
entre a Mãe e o Pai, são os dois unidos
Podemos dizer então por analogia que a Imperatriz pode ser sincretizada na Grande Mãe Cósmica, mas não naquela que os dogmas transformaram em "MARIA" a virgem imaculada, que perdeu o seu principal atributo e o poder de geração da vida pela semente da fecundação num ato puro de amor. Como é possível conceber uma mulher saudável sem menstruação? Uma Maria que não pode amamentar o seu filho pois poria seus seios à mostra. Como tal cultura pode representar algo sadio, ou mesmo a expressão da "verdade" absoluta? Nossa filosofia evoca a divindade feminina e a masculina, para que juntos se unam pela força do amor e que possam realizar a Santíssima Trindade, o Todo. A descrição da Imperatriz encontra-se numa passagem da própria Bíblia, o que prova que ela não é nada mais, nada menos do que uma compilação de crenças filosóficas muito mais antigas, e quiçá muito mais verdadeiras. Vejam em João 12, 1 - "Apareceu outrossim um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, que tinha a lua debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre sua cabeça". Maria é Maia o "grande mar" que adicionado ao "R", que é Rá o Deus Sol egípcio, que fecundou suas águas para a origem da vida conforme nossa ciência oficial. Espero que os menos instruídos sobre a natureza dos cultos tântricos e da filosofia thelêmica em geral possam agora compreender esta analogia.
A Imperatriz, portanto, tem sua
representatividade no Poder, na Geração, na Criação, na Cura e na Liberdade.
Tudo isso expressa o seu carisma, sua força e habilidade de conduzir a vida. Este Arcano do ponto de vista iniciático
denota a capacidade ou habilidade de dominar parcialmente e com maestria uma
determinada Arte ou sistema filosófico, desde que não muito abrangente, pois
nesta fase a pessoa não gosta de falar naquilo que não entende. Por ser assim
ela tem o dom de plantar esperando pacientemente uma colheita futura, tem o dom
de criar talismãs e de compreender a natureza dos selos e dos sigilos mágickos.
Aquele que não possui a Grande Mãe dentro de si, a Grande Imperatriz, ainda não é capaz de compreender e nem de criar ou gerar nada em sua vida.
Por outro lado, uma força compensatória pode entrar em ação; a força de
vontade que pode ser suficiente para manter o equilíbrio até que a maré
tenha passado e o nó da vida se desfaça automaticamente. Uma coisa é certa
— se a vida estiver pendendo na balança, o fato de se deixar de lado a
intuição será um poderoso fator de depressão que poderia servir para fazer
virar a balança positivamente em relação a nossas vidas. Devíamos antes de
nos contentarmos ao dizer que as marés críticas são passageiras, de
lutarmos com todos os nossos "Poderes Internos" para mudarmos tal
situação, isto bastará para servir de advertência, sobre formas religiosas
retrógradas do velho Aeon que nos induzem a uma auto-sugestão paralisadora.
Devemos, portanto, reforçar por todos os meios a nosso alcance, a batalha
contra o conformismo de uma situação; mas não quero com isso dar a entender
que devamos evitar precauções e medidas extremas, pois é nosso dever
cumprir as leis da Natureza enquanto estivermos sob a jurisdição
dessas leis. E à atitude mental que me refiro. Podemos lutar ferozmente
contra nossos revezes, mantendo corpo e alma unidos pelo poder de uma vontade
concentrada trazendo aquilo que chamamos de EVOLUÇÃO DA FÓRMULA MÁGICKA.
Uma Fórmula Mágica é uma exposição da percepção de um fato cosmológico
ou de uma teoria. E pode ser tão simples quanto ao axioma: ama teu próximo como
a ti mesmo; comer uma maçã diariamente mantém o médico afastado; de grão
em grão a galinha enche o papo, etc. Pode ser também uma exposição ou
grupo de símbolos revelando o mecanismo de uma lei natural:
Como é embaixo assim é em cima. Tudo é dor; Amor é lei, amor sob vontade;
E=MC2; IHVH; IAÔ; Thelema. Pode ser uma simples palavra que inicia uma era
inteira: Tao; Anatta; INRI;Aum.
Uma fórmula mágica desenvolve-se de fórmulas antigas, tal como a
habilidade humana de perceber a si mesma e ao crescimento do Universo. Uma
mudança na consciência da raça humana necessita uma mudança na fórmula mágica.
Não é que a antiga fórmula não mais funciona, mas é a nova que funciona
melhor. As obsoletas fórmulas do passado não são necessárias e
completamente descartadas, mas são sempre retificadas e finalmente
ajustadas para melhor harmonizar-se com a nova, expandindo-se o
entendimento da lei natural e espiritual. Usando um aparente não mágico
exemplo: um carpinteiro ou um padeiro procura determinar a área de um círculo.
Um grande magista lhe revela que a área do círculo pode ser determinada
medindo-se o raio do círculo, então multiplicando-se este resultado por
si mesmo, e então multiplicando-se o resultado pelo sagrado número.
Naqueles antigos tempos esta fórmula servia rudemente para pequenos fins. Mas
para maiores e mais complexos projetos (tais como templos, pirâmides,
etc.) eram necessários cálculos mais precisos. Então o mundo teve que
esperar pela magia; do número (Pi). Na matemática, se torna mais
fácil resolvemos um problema empregando a álgebra do que usando o
sistema da aritmética. Todo estudante sabe muito bem disto. Uma vez que esta nova descoberta
tornou-se um conhecimento geral, o mundo modificou-se.
Embora este seja uma crua analogia,
suponho que o Aspirante pode ser como ela se aplica à nosso contínua
evolução na percepção de nós mesmos e de nosso lugar no Universo.
A FORMULA DA NOVA ERA
Grandes períodos espirituais (Eras
ou Aeons) são caracterizados por suas fórmulas mágicas. Isto é muito
mais importante e fundamental ao entendimento da Magia em geral e da
Magia Thelemica em particular, pois o nosso planeta entrou em um Novo Período,
uma Nova Era, um Novo Aeon. A Era de Aquarius-Leo, profundamente significante
como é, é somente um aspecto de uma maior nova era espiritual (estes
aeons mágicos não necessariamente coincidem com os períodos astrológicos,
e, de acordo com Crowley, eles podem ser variáveis). Uma melhor idéia,
uma mais mágica perspectiva, pode ser alcançada se, ao invés de
considerarmos as eras como épocas meramente astrológicas, nós as
olharmos como deuses. Crowley reconheceu nos três principais deuses do Egito:
Ísis, Osíris e Hórus, as fórmulas características dos últimos aeons
mágicos. O Aeon atual, o de Hórus, sucedeu o Aeon de Osíris, que por sua
vez sucedeu o Aeon de Ísis. Cada aeon está caracterizado pelo nível de
entendimento da natureza prevalecente da própria pessoa, isto é, do homem, e
dita a variedade da expressão mágica e religiosa que domina esses períodos.
O AEON DE HORUS
A fórmula da
Criança Coroada e Conquistadora: Como a criança é o produto físico e genérico
se seus pais, assim também o Aeon de Hórus reconcilia e transcende as fórmulas
dos Aeons anteriores. Desde a virada do século, nós temos visto a queda
do colonialismo e a destruição dos últimos vestígios da patente regra
dos reis da Europa. O poder temporal do Papa já era, e a ilusão do
onipotente poder espiritual das igrejas se diluiu ante o poder
da esperança de reavivamento. Fórmula do culto da mãe Terra do Aeon
de Ísis (violentamente reprimida durante o Aeon de Osíris) tem sido
transformada pela evolução de nossa consciência, ressurgindo como
movimento de proteção ao meio ambiente (ecologia). Feminismo e a
ressurgência do culto da Deusa ( no caso do cristianismo, a adoração;
a Virgem Maria. Na Umbanda, Yemanjá). Estes movimentos tem sido vistos
pelas instituições osirianas estabelecidas como exemplos blasfemos de
anarquia espiritual e degeneração da humanidade. E assim eles cruamente
destorcem suas próprias escrituras para profetizar uma inevitável
conflagração purificadora que irá restabelecer uma eterna regra
Osiriana.
Enquanto uma certa quantidade de
conflito seja inevitável (como acontece no começo de qualquer era), o
resultado certamente não será um retorno à fórmula passada. De pé,
como nós estamos, ante o limiar do Aeon de Hórus, o que observamos
acontecendo no mundo é mais precisamente um estado de preparação. Mas
é o natural resultado dos interesses do velho aeon
resistindo ao estabelecimento do novo. É muito semelhante aos choques que as
famílias experimentam quando uma criança cresce e finalmente torna-se adulto
e abandona sua casa. Eventualmente os pais aceitam o inevitável e, em
muitos casos, formam uma nova e suportável relação com o jovem.
Nós somos os jovens que
tornaram-se recentemente autoconscientes. Nós ainda amamos nossas mães
e nossos pais, mas nós sabemos que jamais seremos felizes enquanto
formos uma extensão das vidas de nossos pais ou estivermos presos aos
padrões de vida deles. Agora que estamos conscientes da continuidade da
existência, agora que nós reconhecemos o indivíduo como a básica
unidade da sociedade, nós jamais retornaremos às incompletas percepções
do passado.
Amor
é lei, amor sob vontade.