ARCANUM  "0"
                                     por Francisco Marengo
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No início de sua busca, sem qualquer aviso particular para guiar-lhe, surge o abismo na qual o aspirante deverá fazer uma séria decisão se irá aderir ao Caminho da Escuridão ou da Luz. Como uma chama desperta para um ideal de aperfeiçoamento, chega o momento derradeiro da reflexão, da Iniciação, da Morte e Ressurreição. São energias extremamente sutis para tais perspectivas, se ficar, certamente terá a auto-ilusão da Escuridão disfarçada em Luz, e se saltar rumo ao abismo de sua mente, estará saltando em busca do novo, em busca de sua verdadeira iluminação, e sente em seu âmago nas profundezas daquele vale um ideal a ser perseguido, uma luta a ser travada, mas saberá que se ficar estará amarrado pelo laço de seu contrário. Se ficar viverá uma vida meramente na inércia da matéria manifestada. Afinal o que é a vida sem riscos pergunta o louco a si mesmo, prestes a se lançar no abismo, e seu último nuance de consciência questiona-se se este salto não seria em direção do nada, se não seria um impulso as cegas por sua aparente loucura. Mas o seu "Eu" reclama a mudança profunda em nossa vida  e lhe dá as respostas que ele necessita para evitar o Caminho da Escuridão ou da Inércia. O caminho da inércia é o caminho das facilidades, das conveniências, o caminho da Luz é o caminho da árdua depuração interior, da labuta intensa. Neste ponto pergunta-se porque a fé não é uma fórmula simples. Sim, porque a verdadeira fé é cada vez mais difícil de ser encontrada no ser humano, mas o seu "Eu" não tem uma resposta, sabe que se a der ele esta resposta, esta poderá ser facilmente confundida. Então seu "Eu" lhe diz: "Por que não saltar? Por que não ousar e perseguir seus ideais?"  Há um momento de reflexão. Pessoas sonham, lutam, acertam, erram, frustram-se mas continuam pensando que a vida poderá ser-lhes melhor. Os ilimitados potenciais do ser humano mesclam-se terrivelmente com nossos inúmeros medos, paixões desenfreadas, inseguranças  para pesar dentro nossa existência, para alcançar numa  cintilante percepção que retém o equilíbrio objetivo em nossa realidade pragmática. Nós temos literalmente nossa cabeça no Paraíso e nossos pés no Inferno, e vez ou outra o inverso disso. Resolvemos ou buscamos resolver tudo para os outros, deixando de lado nossos interesses, vamos nos desgastando pela própria ausência da Vontade própria.  Com a aparência de bufões e loucos, escondendo a verdadeira identidade de Magos  que somos, vamos nos escondendo tal como o Sol atrás de uma montanha. Somos crianças conduzidas por nossas visões para uma infinidade de escolas de pensamento, não havendo qualquer contradição aparente, ao dizer-nos que a destruição do Ego é a chave para tão almejada Luz, pois só despertando no seu íntimo a Verdadeira Vontade é que renascerá o Iniciado. E somente lá nas profundezas do Abismo estará seus ideais.  Assim imbuído de confiança de si mesmo, o louco, o aparente bufão, lança-se rumo ao seu Ideal mais profundo. A fantástica experiência da vida, sem medo de ser feliz.