Apolônio de Tiana 

Vida & Morte

por Francisco Marengo

 

Para aqueles que não conhecem, Apolônio viveu no  século I  e era considerado como Profeta, um Sábio e um Mago em todos os sentidos. Um dos fatos mais notáveis era a semelhança de sua vida, os ensinamentos, os fenômenos paranormais, com a vida de Jesus. Até aí a grande sabedoria e compaixão apresentadas por estes dois Mestres, não chega a surpreender, pois estas são características marcantes dos grandes Sábios que viveram na humanidade. Apolônio chegou a ser intitulado como a versão pagã do Cristo. Até o fim do séc.II os ensinamentos eram reverenciados por todos os povos que visitou. Infelizmente, porém, a partir do séc. III os falsos cristãos, ou crististas cada vez mais preocupados em difundir os seus dogmas viciosos, conseguiram finalmente denegrir a imagem de Apolônio. Seus milagres e elevados ensinamentos eram tidos como que competindo com os de Jesus, e assim, foi iniciada uma campanha, liderada pela Igreja, para desacreditar Apolônio. Isto significou, que seus escritos forma queimados e destruídos, uma vez que o Cristianismo, passou a ser a religião oficial do Império Romano, como também ocorreu a outros movimentos rivais dos grupos gnósticos, chamados de hereges pela Igreja nascente. Portanto, foram poucos documentos sobre a vida de Apolônio que sobreviveram aos séculos de perseguição e destruição. Apolônio, O Mestre, o Sábio, era uma figura lendária, venerado pelo povo, respeitado pelos governantes, aceito em todos os movimentos e Ordens Esotéricas em sua época, Apolônio era tido como dono de uma Sabedoria Ecumênica, seus ministérios pareciam ter sido voltados para a restauração dos verdadeiros ensinamentos, mistérios e rituais de todas as filosofias que visitava. Geralmente a pé, movido por uma profunda Sabedoria e Compaixão que o animava em constantes peregrinações, pela Europa, Oriente Médio, inclusive a Pérsia e a Índia. Com vocês, Apolônio.

 


      

  APOLÔNIO Vida e Morte  

"Não há morte de ninguém, a não ser na aparência, como não há nascimento de ninguém, a não ser aparentemente. A mudança de ser para tornar-se parece o nascimento, e a mudança de tornar-se para ser parece a morte, mas na realidade ninguém jamais nasce nem morre jamais. É simplesmente ser visível e então invisível; primeiramente pela densidade da matéria, e depois pela sutileza do ser - que é sempre o mesmo, sendo sua única alteração o movimento e repouso. Pois ser tem necessariamente esta peculiariedade, a de que sua alteração seja efetuada sem nenhuma influência externa, pois o todo subdivide-se em partes, e as partes juntam-se no todo, na unidade da totalidade. Se ocorre a pergunta: o que é isto que às vezes é visto e as vezes não é visto, num momento é o mesmo, noutro já é diferente? poder-se-ia responder: é a natureza de tudo aqui no mundo inferior, que quando está preenchida com matéria é visível, devido a sua resistência de sua massa, mas é invisível, devido a sua sutileza, quando está livre da matéria, apesar de a matéria ainda estar ao seu redor e fluir através dela nesta imensidade do espaço que a encerra, mas que não conhece nascimento nem morte. Porém, por que esta falsa noção de nascimento e morte, persistiu por tanto tempo sem ser refutada? Algumas pessoas pensam que são a causa do que aconteceu por seu intermédio. Ignoram que os pais são o meio e não a causa do nascimento. Da mesma forma como as plantas que saem da terra e não são produzidas por ela. A mudança ocorre com o indivíduo não é causada por seu corpo visível, mas pela mudança naquela coisa que nele está. E que outro nome podemos dar a isto senão 'ser primordial'? É somente isto que age e experimenta, tornando-se tudo para todos através do todo, é a deidade eterna, privada e injustiçada de seu próprio ser por nomes e formas. Porém, isto é uma coisa menos séria do que se lamentar por um homem, quando ele passa para a condição de Deus pela mudança de estado e não pela destruição de sua natureza. O fato é que em vez de permanecer de luto pela morte dever-se-ia honrá-la e reverenciá-la. A melhor maneira e a mais digna para honrar-se a morte é deixar para Deus aquele que se foi e voltar a governar aqueles que ficaram sob nossos cuidados, melhor ainda é aquele que consegue primeiro governar a si mesmo. As leis de Deus são Sábias e Eternas, pois aquilo que é não cessa jamais de ser. Do contrário creríamos que o não ser chegará a ser. E como poderia ser assim, pois o ser jamais passará ao não ser".

 

E.I.E. Caminhos da Tradição
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