A Magia no trajeto do Guerreiro

Francisco Marengo

Faz  o que tu queres há de ser tudo da Lei
 
        É muito comum ao se falar sobre Magia, surgirem os chamados éticos da Magia, preconceituosos, já alegando que Magia não pode ser usada para isso, não pode ser utilizada para aquilo. Magia é para ser utilizada para uma causa nobre e um motivo justificável.
 
           O ser humano no dia a dia vive em equilíbrio e desequilíbrio com inúmeros tipos de energia que circundam o orbe terrestre. Em nosso próprio plano físico, coexistem seres conosco de diversas espécies, formas-pensamento, seres elementais, demônios, cascões astrais, etc.
 
        No dia a dia, o nosso crescimento desperta a inveja natural daqueles menos capacitados, e por isso mesmo, se faz necessária a proteção mágicka, o selamento mental e principalmente o trabalho mágicko para abertura do caminhos em negócios ou em qualquer atividade. E eu asseguro que não há nada de antiético nisto. Antiético é o magista que não tem dinheiro para pagar o aluguel, antiético é não ter dinheiro para suas necessidades mais básicas, antiético é perder a sua dignidade por não compreender as forças invisíveis que nos rodeiam. O desconhecimento e a ignorância dos segredos da vida e da morte são por si só o mal e a infelicidade de cada um. 
 
        De que adianta todo o conhecimento que dispomos se não podemos utilizá-lo em nosso dia a dia. É certo que um sábio pobre pode ajudar muito gente, mas um sábio rico poderá ajudar muito mais. Ter dinheiro como recurso para realização de nossos projetos de vida é parte integrante de nossa Missão Sagrada com seres humanos. Sucesso afinal é a nossa prova!
 
        Toda a natureza do Criador é rica, a terra é composta por diversas riquezas naturais, as plantas também que servem de alimento, servem de cura e servem de veneno, tudo depende de sua utilização. A magia, assim como o dinheiro, é ruim quando mal empregada, para fins absolutamente egóicos.
 
        Quando dizemos e acreditamos que nosso trabalho tem o objetivo direto ou indireto de  ajudar as pessoas, sintonizamos com a benção do Alto para execução plena de nossas tarefas, e podemos então dizer que isto é Pura Magia!  

        Entretanto, como sempre procuramos fazer, vamos a luz do ocultismo científico tentar explicar o mecanismo disto. Para começar, vamos falar no significado do estado mágicko de consciência. - Magia é, igualmente, uma expressão grega: mageia.  De qualquer modo, este substantivo provém do adjetivo magos que, em grego, reproduzia um vocábulo persa, cuja consonância era quase idêntica. O latim a traduziu por magus e Cícero a empregou para designar o sábio entre os persas.

        Em português, dizemos mago. A raiz da palavra magos é "MAG". De um modo geral, significa amassar, evocando também a idéia conexa de maceração. Isso faz pensar que o mago entre os antigos persas se entregava a operações de amassamento com certos pós, mais ou menos análogos farinha de trigo. Sem dúvida, o mesmo se aplicava à fabricação de drogas com produtos macerados em líquidos. Sem dúvida, os gregos estavam a par de tais operações, posto que empregavam o verbo "mageireuern", significando preparar a cozinha, enquanto que a palavra "mageirikos" significava, para eles, cozinhar.

       Os gregos modernos ainda as empregam e, por vezes, como abreviatura, usam a palavra magos, querendo dizer cozinheiro chefe. A raiz MAG deve relacionar-se a esta outra - MAK - que, exprimindo a idéia de comprimento e de grandeza, lhe é idêntica, em suma, pelo simples endurecimento da pronúncia da letra G. Assim, ao dizer-se magos e ao falar-se de "mage", não se estaria longe de qualificá-lo como grande personagem.

        Pertencendo o grego à família ariana ou indo-européia, suas raízes, evidentemente, são as mesmas do sânscrito. A escrita, no entanto, é diferente, uma vez que o alfabeto grego derivou-se do fenício, desta forma possuindo origem semítica. O radical MAK e as palavras gregas dele derivadas transferem-se para o latim como magis, advérbio significando mais - "magus", que quer dizer grande - "magister", de onde proveio a palavra francesa "maitre" (mestre) e várias outras que, passadas para a nossa língua (francesa), após terem pertencido à romana, sempre implicam uma idéia de superioridade, tais como "maire" (prefeito), "máxime" (máximo), "magot" (pecúlio).

        Entretanto, o transe do estado mágicko de consciência, não é algo como sentir sono. É por outro lado, quase uma experiência artificial induzida que se assemelhe superficialmente ao sono, mas, eu devo enfatizar, este estado não é como sentir sono. Ele estaria mais próximo ao estado de mente que nós experimentamos imediatamente antes de cair no sono ou imediatamente quando despertamos do sono. Durante este processo nossos sistemas de defesa entram em descanso e nossa consciência é ligado diretamente ao subconsciente. Este estado de ser da mente é chamado frequentemente do "estado alfa". Este mesmo estado da mente é produzido quando nós somos privados do sono, durante que nós podemos ser muito vulneráveis também. Lembro de um caso interessante que um conhecido, também estudioso do oculto,  nos contou que ao fazer todas as noites um itinerário de trabalho de fiscalização e segurança às altas horas da madrugada.  Numa dessas noites adormeceu no volante de seu carro, e só foi recobrar a consciência quando já era manhã e se encontrava na cama já em sua casa. Possivelmente o subconsciente acostumado assumiu as funções físicas por proteção, porque no outro dia verificou com os amigos e fez todo o trabalho como normalmente sempre fazia.  

    Mas, de fato, magia e as energias que envolvem o universo mágicko é um fenômeno que joga com um papel vital em todas nossas atividades diárias. Está é à razão de nossa perseguição do conhecimento científico. Nós como temos muita gente sob a nossa supervisão,  devemos diligentemente investigar e desenvolver uma compreensão positiva no que diz respeito aos mecanismos sutis da magia e dos seus efeitos sobre personalidade humana. O princípio que está por trás de toda a ciência é o estudo das causas. Investigando e compreendendo a ciência mágicka, e sua relação com os seres humanos, como uma personalidade viva na terra, você pode observar, estudar, e eventualmente controlar a causa e as relações do efeito de determinadas tendências das forças da natureza que constituem aspectos de nossas próprias personalidades humanas.

        O objetivo da Magia, é fazer com que a mudança ocorra na conformidade com nossa vontade, através da ligação da mente consciente ao subconsciente e para dirigir sugestões e energias ao último. O ser humano com raras exceções é altamente impressionável. Assim o magista pode dirigir sua mente subconsciente para aceitar a informação de seu consciente atualizando tal informação, transformando-a numa fórmula de atingir experimentos ou fenômenos internos ou externos. Estes fenômenos são místicos, porém naturais, e muito em breve serão capazes de serem sujeitados a métodos de análises científicas. Os fenômenos da Magia estão enraizados principalmente nas atividades do sistema nervoso autônomo (mecanismo subconsciente), que é basicamente reflexivo na natureza. E nisto consiste a Iniciação, como próximo ponto que iremos tratar.

        O noviço de nossa Ordem é consagrado como um guerreiro de Thelema em direção a Grande Obra e o trabalho da Iniciação. O senhor dos guerreiros é Hórus, a criança coroada e conquistadora, que é também o deus da guerra. Entretanto, este ponto do guerreiro de Thelema, o princípio da guerra se estende além do combate físico. Pode haver a guerra em outros planos, ou até mesmo a conquista do ego inferior, que é a grande guerra da Iniciação.

        Em nossa Ordem nós vemos a Iniciação como uma guerra espiritual ou uma batalha pessoal com o demônios interiores, ego e "ruach". O noviço da Ordem é consagrado conseqüentemente como um guerreiro de Hórus, cuja a única arma é a espada de Thelema, para conquistar dentro de si o inimigo real -- o ego inferior, um combate interno para o Autocontrole, a Autolibertação dos sentidos e a Auto-Iluminação.

        O guerreiro noviço em nossa Ordem é aquele que aceita e pratica a responsabilidade completa da auto-realização em sua vida. De fato, a responsabilidade é um elemento e uma medida chave para o  sucesso em nossa Ordem. Cada novato deve tornar-se completamente responsável para o desenvolvimento da integridade e da força do caráter que se levanta a confrontar e derrotar quaisquer natureza presente nas Ordálias do conhecimento, os testes e as experimentações serão apropriadas à sua evolução e ao seu progresso para possuir a natureza do poder na fonte original.

        Mesmo em nossos cerimoniais de Iniciação, os oficiais do templo estarão lá somente para ajudar ao novato no processo iniciatório e ajudá-lo em sua libertação dos sentidos embotados, não sendo raros casos em que ocorram fenômenos naturais.

           É sempre o Iniciado o único responsável para o progresso em sua vida e para tal ele aprenderá a conhecer a natureza das ações e reações. Tal fato se dá para evitar que  circunstâncias ou empecilhos exteriores não causem danos a natureza das nossas ações e reações que normalmente experimentamos em nossas vidas. Toda ação mágicka vem de dentro. Assim não há nada negativo ou um positivo nisso. São somente nossas reações subjetivas às circunstâncias que as fazem assim. Tudo é relativo ao psique do indivíduo.

        Deste modo, ninguém pode realmente ferir um verdadeiro guerreiro de Thelema. O que ele sente, que ações podem ser tomadas determinam a responsabilidade dele, não importando o que podem ser. O guerreiro de Thelema sabe também que pode transformar toda ação numa reação propícia a ele, de modo que um pensamento ou uma emoção destrutiva possam imediatamente ser transformados em uma energia criativa e benéfica. Assim não há nenhum obstáculo real para o guerreiro de Thelema. Ele vê todos as ordálias, todos os obstáculos, e toda a adversidade, como desafios criativos e necessários, como algo ser confrontado e superado com força, confiança e alegria. Todas as ordálias são etapas no sucesso do trabalho rumo a  Grande Obra da Iniciação. E para o guerreiro de Thelema, o sucesso a palavra chave de sua natureza, porque o sucesso é a nossa prova, o que diferentemente disto é visto por ele como fracos, covardes e escravos .

        A vontade é a arma psicológica do guerreiro de Thelema. De um ponto de vista psicológico, a função principal da vontade é controlar todas as outras funções psicológicas, regulá-las e dirigir de maneira apropriada para a sua expressão criativa. A vontade é central de força da nossa personalidade e é ligada diretamente ao núcleo de nosso ser. Com relação a Grande Obra, todos os aspectos da necessidade da mente devem ser colocado a serviço de nossa vontade, isto é, nossa Verdadeira Vontade -- a vontade natural, instintiva, criativa, iluminada de dentro para fora. Cada pensamento, cada emoção, cada sentimento, deve ser sacrificado a esta vontade no guerreiro de Thelema.

        Conseqüentemente, a primeira pergunta que é posta diante do candidato para a Iniciação é "qual é sua vontade?" A resposta honesta a esta pergunta é a compreensão da natureza de sua verdadeira vontade. No conhecimento da vontade encontra-se a semente à vitória no trabalho, na vida, no dia a dia e na grande Iniciação. Em nossa Ordem a vontade é simbolizada pela espada, que é a arma do guerreiro de Thelema. Esta não é só uma espada física, mas a espada exaltada do espírito, a arma aristocrática da força e do ouro que é forjado no calor do fogo do Sol Interior! Com esta espada o guerreiro de Thelema vai adiante conquistar, inflamando-se com energia e entusiasmo, e com diligência ferrenha, para alcançar o sucesso na realização de sua vida e de sua Missão Divina!

Amor é a lei, amor sob vontade.