A ARTE NEGRA

“A própria ciência tem necessidade da noite para observar a multidão dos astros. O sol nos 
esconde os sóis, a noite os mostra e parecem florescer no céu obscuro como as inspirações
sobre-humanas aparecem nas trevas da fé. As asas dos anjos se mostram brancas durante
a noite ; durante o dia elas são negras”.
(Eliphas LeVI)

 

Há uma força negra ou escura que interpenetra a luz. ESTA É UMA realidade imutável. Isto está impresso dentro de todas as coisas vivas como no Atmã, VOU ADIANTE ao dizer que tal força anima a todas as coisas vivas. Este princípio é Uno, não importa onde este esteja, ou que isto signifique de fora para dentro, ou de dentro para fora, seu princípio é sempre uno.
Porém as coisas vivas são multiformes. Não há duas coisas exatamente iguais e isto é uma LEI
do Cosmos donde esta Força Obscura governa. A Força Obscura empurra ao Cosmos a uma troca constante, e ao mesmo tempo o consome, o dissolve. Este é o mistério da serpente que morde sua própria cauda.

Não importa que, a obscuridade seja sempre UNA. Alguns a chamam "nada" porque
verdadeiramente a vêm, porém estou certo que o estudante entenderá melhor ALGO ao invés de NADA. Não desejo complicar tais princípios. No pré-sânscrito está escrito que esta obscuridade somente anima as coisas vivas. As coisas vivas existem em muitas formas. Provavelmente qualquer um pode imaginar, existir em algum lugar, e em qualquer tempo, como tais coisas co-existem estão relacionados, como TAMBÉM fossem únicas.
A morte é única dissolução desta animação de uma forma de vida para outra. A forma da coisa viva acontece através de uma mudança muito rápida. É algo atômico ou molecular cuja estrutura é a parte molecular de uma criatura viva e atômica, como uma estrela ou sol. Os alquimistas são os "filósofos da matéria" e têm por objetivo
atingir a compreensão da natureza e dominar (conhecer) suas leis, sendo hoje chamada a alquimia de "a arte de alterar ou utilizar as vibrações". Na concepção alquímica, o Universo originou-se de uma substância única, indiferenciada (matéria prima ou quintessência), a qual polarizou-se em princípios ativo e passivo, derivando daí o mundo manifesto. Este azoth alquímico corresponde ao conceito ocultista da luz astral (o mesmo veículo ao qual se referem os médiuns que lidam 
com cura espiritual ou materializações). A alquimia surgiu provavelmente no Egito, como sugere a raiz grega do nome (khemia = transmutação, fusão, mistura) e corresponde ao nome copta do Egito (Khem = terra negra), segundo Plutarco. Os árabes (que invadiram o Egito em 640), incorporaram esse vocábulo na forma Al-Kimiya (transformação através de Alá). O fundador mítico da filosofia alquímica é o egípcio Hermes Trimegistos (associado ao deus Toth), mas a lenda cristã a atribui aos anjos, que ensinaram os segredos da natureza a alguns homens ao apaixonarem-se pelas mulheres terrenas.

São quatro os postulados básicos da alquimia que explico detalhadamente:

- A unidade do princípio material (matéria prima primordial), a Ciência de produzir o grande segredo da Natureza é um conhecimento perfeito da Natureza Universal  e da Arte pertinente ao Reino dos Metais; a prática dessa ciência é familiarizada com a descoberta dos princípios dos Metais por Análise e, depois de tê-los tornado mais perfeitos, deve-se uni-los novamente em um  modo contrário ao anterior, para que a partir daí resulte uma Medicina Universal, mais poderosa para aperfeiçoar Metais imperfeitos ou restaurar corpos doentes.

- Evolução da matéria ( todos os elementos são radioativos, uns mais outros menos, de forma que ao longo de milhões de anos, mesmos os átomos considerados estáveis, sofrem transformações análogas à dos elementos instáveis). Quem busca a Arte de aperfeiçoar metais imperfeitos além da natureza dos Metais age em erro, porque dos Metais os Metais devem ser derivados; do mesmo modo que a humanidade deriva do homem. 

- Os elementos químicos representam estados de evolução (sendo o ouro o mais perfeito). Corpos perfeitos como o Sol e a Lua são dotados de uma semente perfeita, e, portanto, sob a rígida crosta dos Metais perfeitos a Semente Perfeita está escondida, e aquele que sabe como retirá-la através da Solução dos filósofos entra na estrada real, porque: 

"In Auro Semina sunt auri, quamvis abstrusa recedant Longius". (No Ouro as Sementes do Ouro jazem, embora enterradas na obscuridade).

- A transformação é o resultado de uma evolução natural ainda desconhecida do homem, a qual é possível reproduzir em laboratório, sendo este trabalho ao mesmo tempo espiritual e material (ora et labora = reza e trabalha; de onde vem a palavra laboratório = labor + oratório). Baseada em princípios herméticos, a Alquimia prescinde de acessórios materiais, no qual o alquimista visa seu desenvolvimento mental e espiritual. São sete os princípios de Hermes Trimegisto, ou seja, da mente, da correspondência simbólica, da vibração mântrica, da polaridade em equilíbrio, do ritmo, da causa e efeito e do gênero. Segundo a filosofia alquímica e os princípios da magia, os sete metais planetários são os que mais acumulam spiritus de natureza análoga à "influência" planetária correspondente. Eles apresentam um ritmo energético oscilante, de acordo com a posição do astro a ele associado (é o "biorritmo" do metal). A palavra Alquimia conforme mencionamos, é derivada do Árabe, e significa matéria original da transmutação, ou ‘Prima Mater’, que no sentido alegórico representa a fabricação do ouro a partir de metais comuns, através da chama sagrada da purificação, ou seja, no sentido esotérico e místico é a lapidação da pedra bruta sincretizada no espírito humano, transformando-a em diamante, a purificação do espírito. A busca da pedra filosofal, que visa o conhecimento perfeito da razão de ser, e do Absoluto. A pedra filosofal, para a Alquimia, é o princípio da Iluminação, que os alquimistas tanto buscam. A obra Alquímica mais conhecida é a Tábua de Esmeraldas – escrita por Hermes Trimegisto, a qual dizia “o que é em cima, é como é embaixo”, que se referia ao Macrocosmo e o Microcosmo, ou seja, em essência e aplicação de energia, são a mesma coisa, ou seja, os mesmos princípios se aplicam ao homem e o Universo. Existe também o referencial da busca ao Azoth, ou Éter cósmico, melhor dizendo, é a substância que está em toda parte e que faz as coisas se tornarem reais.

Tudo cresce a partir da semente". Esta "semente" é denominada spiritus ou astra. Os metais, como seres vivos, podem estar sujeitos a doenças diversas, como comprovam alguns experientes radiestesistas ou radiônicos, inclusive eles podem até 'morrer', e geralmente os metais que empregamos estão realmente mortos, uma vez que perderam seu spiritus. O uso de alguns destes metais 'adoecidos' ou de ligas metálicas cuja combinação se origina de metais de caracteres diversos, pode precipitar o surgimento de diversos males.  

A Alquimia é, antes de mais nada, uma ciência de autotransformação. O caminho é ao mesmo tempo espiritual e material. Tudo faz parte da natureza evolutiva das coisa, onde jamais poderá haver retrocesso, ou aspectos involutivos.