A Revelação
por Francisco Marengo


        A Divindade cósmica à qual serve a Tradição da Serpente encabeça com sua energia em espiral a nova forma Assunção Espiritual intitulada Thélema, mas que já estava surgindo nos primórdios da Terra, na época dos povos Sumerianos, sendo regida inicialmente pelo lado negativo ou o oposto da Serpente Invertida. Em seu pólo positivo, esta Tradição cultuaria a Divindade cujo simbolismo é o próprio Mistério da Serpente do Caduceu e, no negativo, seria a Divindade cujo simbolismo é o Mistério do Dragão de sete cabeças ou Hydra, ou Sothis, a manifestante das sete estrelas de Poláris da constelação da Grande Ursa que representa o Dragão ou Nuit, a Mãe dos Deuses Primais, cuja fórmula de mutação, ou fórmula mágicka é Sothis, ou Sírius, que em seu caráter simboliza o Filho atrás do Sol.
       Saibam que nos tempos de outrora, o termo Diabo ou Demônio não existiam na Terra, e o mistério do Dragão cósmico por excelência, já era o pólo negativo e, lado cósmico de uma religião que foi semeada em uma vasta região, que compreendia desde a atual Índia até as Arábias e posteriormente no Antigo Egito conhecido como cultos da serpente ou cultos draconianos.
        E isso há muitos e muitos milhares de anos. Esse tempo é anterior a tudo o que possas imaginar sobre civilizações. Mas, tal como os aborígines, que há milhares e milhares de anos cultuavam suas Divindades e só sofreram alterações com o advento dos colonizadores europeus, essa civilização a que me refiro aqui foi anterior às que se conhece por meio dos livros de História. E tanto a Divindade simbolizada pela Serpente, ou pelo Dragão de sete cabeças, representam os sete sentidos da Vida, os cinco sentidos físicos, o sexto intermediário entre os homens e deuses e o sétimo como sentido do êxtase divino ou Samadhi. Nessas épocas foram cultuadas e sustentaram a encarnação de milhões de seres, lançados no estágio humano da evolução, em conjunto com outros seres espiritualizados que ali se lançaram oriundos das estrelas e depois ali reencarnaram.
        Nessa época a Civilização Humana atingiu um elevado grau de evolução científica e espiritual, mas como não poderia deixar de ser, foi levado à queda por uma outra corrente nefasta cujo sentido está na inversão polar da pirâmide sagrada branca, para a pirâmide não menos sagrada negra.
        Este era um sentido inverso ao evolutivo, mas cuja corrente pregava uma ilusão, pois nada possui aspecto involutivo, senão podemos chamar de involução a estagnação da alma. Assim, o lado negativo da antiga religião, que cultuava a Serpente ou Dragão de sete cabeças Sagrado, símbolo dos sete sentidos da Vida, das sete virtudes, pois são as sete cores celestiais a emanar evolução para a raça humana. Aí há todo um simbolismo a ser decodificado, mas a estes só será revelado aos Ir.’. mais elevados em compreensão de nossa Irmandade.
        No nosso Caminho, há os sete caminhos sinuosos, pois se no céu o arco-íris se mostra visível a todos, no seu oposto estão os que rastejam tortuosamente pelos caminhos da Vida. E a estes não teremos misericórdia, pois uma vez percebida suas intenções pelo Sagrado Anjo Guardião e pelos Mestres Secretos estes são arrastados para uma torrente escura, de tons sanguíneos e de natureza viscosa, para que não mais perturbem os caminhos de nossa Senda Filosófica.
        Um dos regentes kármicos é conhecido por Lúcifer e têm por função vigiar a evolução da humanidade estando ele plenamente sintonizado com a força e a energia desse novo Aeon. Sob o manto protetor desse Regente da Luz, atuam, seus mestres apoiando a polaridade positiva e a polaridade negativa a esquerda desse Anjo Regente, estes são amparados pela Divindade que envolve o Mistério do Dragão de Sete Cabeças, e o Mistério da Tradição da Serpente, assim tais Mestres da Luz à direita e os Guardiões do Umbral à esquerda.
        Não há, no entanto, semelhanças das antigas religiões ou cultos draconianos com o atual Ritual Thelêmico, pois naqueles cultos do passado se realizavam oferendas às Divindades, cuja ótica é completamente outra atualmente existente no ritual de Thélema Sagrada, se bem que os Daemons presentes naquela influência religiosa e nesta atual ainda sintonizam com seus sacerdotes, inspirando-os, guiando-os, defendendo-os e ajudando-os. 
 
        Já nos Ritos Thelêmicos o Sacrifício é o próprio sangue do magista que num sentido alegórico verte para a Taça de Babalon que conduz Therion – a Besta. E assim quando nossos sacerdotes e sacerdotisas entram em êxtase ou Assunção a Formas Divinas, os deuses se manifestam e dão seus recados também por intermédio de oráculos.
 
Khonx Om Pax!
Luz em extensão!
 
Fraternalmente;
 
Francisco Marengo
Frater Magister.'.'.'